Hapvida processa banqueiro Daniel Vorcaro por R$ 11 milhões em dívidas após compra da Promed; situação financeira da operadora gera crises internas e pedidos de mudanças na gestão.

A operadora de saúde Hapvida protocolou uma ação judicial no estado de Minas Gerais contra Daniel Vorcaro, um banqueiro que integra uma das famílias de controle do Banco Master. O litígio gira em torno de uma dívida de R$ 11 milhões, originada da transação de aquisição da rede Promed, realizada pela Hapvida em 2021. Os advogados da operadora solicitam que a Justiça emita uma carta precatória para que Vorcaro seja notificado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde atualmente se encontra detido.

O processo não envolve apenas Daniel Vorcaro; seu pai, Henrique, e sua irmã, Natália, também figuram como réus. Ambos foram alvos da Operação Compliance Zero, que resultou no bloqueio de seus bens. A Hapvida, que é na verdade a Ultra Som Serviços Médicos S/A, adquiriu a Promed em um negócio avaliado em aproximadamente R$ 1 bilhão, que também incluiu R$ 500 milhões correspondentes a dívidas. Embora os membros da família Vorcaro tenham recebido a maior parte do pagamento, uma fração significativa, totalizando apenas R$ 65 milhões, foi paga em dinheiro; o restante foi realizado por meio de ações da Hapvida.

Daniel Vorcaro, especificamente, recebeu 13 milhões de ações ordinárias da companhia, que estão disponíveis para negociação na B3 sob o ticker HAPV3. No entanto, um negócio dessa magnitude, que impacta dezenas de milhares de clientes e gera uma quantidade substancial de litígios, possui complexidades notáveis. O contrato de aquisição previu revisões de valores em intervalos específicos, conhecidos como “aniversários” do contrato. Até maio de 2023, a dívida associada aos Vorcaros já alcançava R$ 83 milhões.

Desde então, ocorreram mais duas revisões contratuais, levando a Hapvida a alegar que agora a balança financeiro estava a seu favor, somando mais R$ 22 milhões a serem cobráveis dos Vorcaros. Em fevereiro passado, um desconto parcial de R$ 11 milhões foi aplicado a Daniel Vorcaro, restando ainda R$ 12 milhões em aberto. A justificativa da Hapvida para a cobrança inclui perdas relacionadas a processos judiciais e honorários advocatícios, além de juros e correção monetária.

A situação da Hapvida se agrava ainda mais com a recente crítica da Squadra Participações, que detém 5,5% das ações da operadora. Em um comunicado, a Squadra expressou preocupação com as decisões de alocação de capital da empresa, que, segundo a análise, diluíram valor econômico significativo para os acionistas. Desde o IPO da Hapvida, há oito anos, as ações acumulam uma desvalorização de 85%, em comparação com uma alta de 120% do Ibovespa no mesmo período. Os pontos levantados pela Squadra incluem a deterioração dos resultados e um aumento na alavancagem financeira. Em resposta, os representantes da Hapvida não se pronunciaram, enquanto a defesa de Vorcaro se absteve de fazer comentários sobre o caso.

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