De acordo com Farhan Haq, vice-porta-voz do secretário-geral, não houve qualquer convite formal dirigido a Guterres para integrar o conselho, um aspecto que tem causado apreensão na comunidade global em relação aos rumos e à eficácia de iniciativas de paz no Oriente Médio. A ausência do líder da ONU é vista como uma demonstração de prestígio reduzido da organização em comparação com as ambições de Trump, que planeja formalizar este novo órgão no Fórum Econômico Mundial em Davos, marcado para a próxima quinta-feira.
Com foco na administração da Faixa de Gaza, o conselho é projetado como um mecanismo internacional que visa restaurar a estabilidade e a legalidade em áreas afetadas por conflitos. O plano estipula que países interessados em assentos permanentes devem contribuir financeiramente com pelo menos US$ 1 bilhão, reforçando a ideia de que o acesso ao poder no âmbito do conselho estará atrelado a compromissos financeiros substanciais.
Trump não apenas assumirá a presidência inaugural do conselho, mas também terá a capacidade de decidir sobre a composição do órgão e aprovar decisões por maioria simples. O formato da proposta inclui reuniões anuais e encontros trimestrais, que ocorrerão sem a necessidade de votação.
Enquanto isso, no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, discutem a participação do Brasil no conselho, que também está convocando países como Rússia e Belarus. A iniciativa parece simbolizar uma nova era nas relações internacionais, onde o poder político e financeiro podem moldar a governança global de maneira sem precedentes.
Além disso, Guterres anunciou que não comparecerá ao Fórum de Davos devido a problemas de saúde, uma “forte gripe” segundo fontes oficiais, o que agrava a percepção de uma ONU deslocada neste novo cenário de negociação e poder geopolítico, marcado por um sistema que pode privilegiar nações dispostas a investir grandes quantias em vez de promover um diálogo amplo e inclusivo.
