Rafael Firme, especialista em estudos estratégicos internacionais, observa que a situação no Golfo Pérsico é um indício claro desse novo arranjo. Países que antes eram mais dependentes da proteção americana agora buscam formas de estabelecer relações multilaterais que excluem os Estados Unidos. O analista aponta que a diplomacia americana falhou em garantir a segurança de seus aliados, resultando em um vazio de liderança no qual outras potências, como a Rússia e a China, começam a assumir um papel mais proeminente, especialmente em relação a potências regionais como Irã, Arábia Saudita e Turquia.
Neste contexto, os conflitos envolvendo o estreito de Ormuz e os avanços do Irã em sua capacidade militar estão desafiando a noção de que os Estados Unidos ainda são a superpotência incômoda e garantidora da segurança no Oriente Médio. Firme ressalta que, embora o Irã não possua o mesmo arsenal bélico que os EUA, suas ações têm demonstrado uma resiliência e uma capacidade de defesa que estão colocando em questão as promessas de proteção americana.
A história recente também aponta para um padrão de fracassos nas intervenções dos EUA na região, com diversas operações resultando em consequências desastrosas. Firme menciona que a maioria dessas operações, desde a Guerra do Golfo até a invasão do Afeganistão, culminaram em uma série de derrotas que agora reverberam na percepção global acerca da autoridade e eficácia dos Estados Unidos.
Portanto, à medida que o Oriente Médio se transforma sob novas dinâmicas de poder que enfatizam a multipolaridade, os Estados Unidos veem sua influência corroída, não apenas por seus adversários regionais, mas também por aqueles que outrora eram considerados amigos. Essa mudança de cenário geopolítico pode provocar ramificações significativas, não só nas relações entre os países da região, mas também nas estratégias de segurança global que definirão a política internacional nas próximas décadas.




