A cientista política alemã Claudia Major analisou essa problemática, destacando o desrespeito dos EUA ao direito internacional e a disposição para utilizar a força em prol de seus interesses, uma tendência que se tornou evidente desde as polêmicas envolvendo a Groenlândia. Major ressalta que muitos na Europa inicialmente acreditavam que essa postura agressiva não se tornaria uma norma, mas a escalada da violência no Oriente Médio dissipou essa esperança.
Os efeitos diretos da intervenção americana têm sido devastadores para a economia europeia. O fechamento do estreito de Ormuz, que é crucial para o tráfego de petróleo e gás, provocou um aumento significativo nos preços da energia, contribuindo para um ciclo inflacionário que impacta todos os setores da economia. As previsões econômicas para a Alemanha, por exemplo, foram drasticamente revisadas, com o governo reduzindo a expectativa de crescimento para apenas 0,5% por conta da pressão inflacionária resultante do conflito.
Major sugere que os eventos contemporâneos podem delinear novas realidades nas relações transatlânticas. A guerra e a crise relacionada à Groenlândia podem ser vistas como marcos que indicam uma mudança na percepção europeia sobre os Estados Unidos, que, ao invés de serem percebidos como aliados, estão sendo vistos por muitos como uma força que age contrariamente aos interesses europeus.
Outro ponto crucial levantado por especialistas é a crescente insegurança econômica, com a probabilidade de que o prolongamento do conflito no Oriente Médio aumente o número de trabalhadores à margem, aqueles que, mesmo empregados formalmente, enfrentam dificuldades para atender às necessidades básicas. A recente decisão da Marinha dos EUA de bloquear completamente o tráfego marítimo nos portos iranianos destaca a gravidade da situação, visto que essa região é responsável por cerca de 20% do petróleo transportado globalmente.
A complexidade da situação atual exige uma avaliação cuidadosa e uma reflexão sobre como os países europeus podem se preparar e responder a um cenário econômico cada vez mais volátil.
