Guerra no Irã eleva preços de fertilizantes em 70% e ameaça crise alimentar global, alertam especialistas sobre impactos no Reino Unido e África.

A guerra em curso no Irã está desencadeando uma crise significativa no setor agrícola, especialmente no que tange ao custo e à disponibilidade de fertilizantes. Os agricultores do Reino Unido, por exemplo, estão enfrentando um aumento de até 70% nos preços dos fertilizantes, um fator que promete elevar os custos dos alimentos mundialmente na próxima temporada. Essa situação é ainda mais preocupante, considerando que os preços dos fertilizantes já eram elevados antes do início do conflito no Oriente Médio.

As interrupções na cadeia de fornecimento de fertilizantes são em grande parte atribuídas ao bloqueio no estreito de Ormuz, uma rota crucial para aproximadamente 1.600 navios que são essenciais para o transporte de mercadorias, incluindo insumos agrícolas. Embora a colheita de 2026 no Reino Unido não deva ser impactada, já que os fertilizantes para esta safra foram, em grande parte, aplicados, as consequências serão sentidas na próxima temporada. A incerteza levou muitos agricultores a adiar suas compras, na esperança de que a situação melhore, embora muitos especialistas afirmem que isso é um cenário improvável.

A crise não se limita ao Reino Unido; o aumento nos preços dos alimentos está tendo repercussões globais. Estima-se que 80% da população britânica esteja preocupada com a alta nos supermercados, à medida que os varejistas repassam esses aumentos de custo. Enquanto a demanda por alimentos continua alta, as opções para substituir o nitrogênio estão se tornando cada vez mais escassas, uma situação que gera apreensão.

Além disso, a escassez de fertilizantes pode ter consequências drásticas em comunidades vulneráveis na África, onde muitos países já enfrentam dificuldades para garantir a segurança alimentar. Apesar de o continente possuir o potencial para se tornar um grande produtor de alimentos, ainda é um importador líquido significativo, dificultando sua capacidade de se adaptar a essa crise.

O futuro do agronegócio global depende cada vez mais da reabertura do estreito de Ormuz, não apenas para o transporte de petróleo, mas, de forma crucial, para restabelecer o fluxo de insumos agrícolas essenciais. A situação se torna uma questão vital, à medida que a insegurança alimentar se torna uma ameaça crescente.

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