Em suas declarações, Gabrielli ressaltou que a interferência dos Estados Unidos no mercado mundial de petróleo, especialmente em relação a países como Venezuela e Irã, pode redesenhar os fluxos de comercialização do petróleo de maneira significativa. Ele observa que a guerra no Irã pode potencialmente redirecionar as exportações de petróleo bruto, aumentando a participação de países como Brasil, Canadá e Guiana no fornecimento para potências emergentes como China e Índia. No entanto, a fragilidade do Brasil em termos de capacidade de refino coloca o país em uma posição de vulnerabilidade, especialmente em relação à demanda interna por diesel.
O ex-executivo comentou sobre as importadoras de combustíveis no Brasil, que têm se mostrado importantes, mas também especulativas. Desde o governo Temer, um número significativo de pequenas empresas teve autorização para operar, mas o impacto dessas importações é limitado. Por mais que as refinarias da Petrobras tenham aumentado sua operação, a capacidade ainda não é suficiente para atender a demanda interna, resultando em dependência externa.
Gabrielli enfatiza a necessidade urgente de aumentar a capacidade de refino no Brasil para melhorar a segurança energética. Ao longo de décadas, essa questão tem sido negligenciada, com apenas uma nova refinaria construída desde 1980. A falta de novas instalações, aliada à histórica resistência de grandes empresas, tem acentuado a vulnerabilidade do país em crises energéticas.
Por outro lado, a transição para fontes energéticas mais limpas, como hidrogênio, se torna cada vez mais necessária. Gabrielli defende que o hidrogênio verde pode desempenhar um papel vital na futura matriz energética, embora a viabilidade ainda exija um mercado sólido e políticas robustas de demanda.
Diante desse cenário, Gabrielli afirma que é imperativo começar a tomar decisões estratégicas agora para garantir um futuro energético mais sustentável e seguro para o Brasil.
