Grupo é preso por tentar desviar R$ 845 milhões da herança de empresário fundado do Grupo Unip/Objetivo em esquema de fraudes e documentos falsificados.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil estão em operação para desmantelar um esquema de fraude que visa a apropriação indevida de R$ 845 milhões da herança do empresário João Carlos Di Genio, o fundador do Grupo Unip/Objetivo. Nove mandados de prisão preventiva foram emitidos contra membros de um grupo suspeito de orquestrar esse desvio.

Entre os alvos da operação, destacam-se Anani Candido de Lara, apontado como a figura central da fraude e sócio da Colonizadora Planalto Paulista. Ele teria sido responsável pela elaboração de documentos fraudulentos que facilitaram o desvio. Também é investigado Luiz Teixeira da Silva Júnior, que possui 95% da Colonizadora e, segundo a apuração, teria proporcionado suporte financeiro e jurídico à ação criminosa. Vale ressaltar que Teixeira já esteve sob os holofotes da polícia em 2019, quando uma operação da Polícia Federal o vinculou ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura está sendo investigada por atuar como a suposta “juíza arbitral” da Fonamsp, instituição que serviu para gerar uma sentença arbitral fictícia que possibilitou a cobrança da dívida exorbitante. Além dela, Rubens Maurício Bolorino e Wagner Rossi Silva foram identificados como testemunhas e operadores logísticos do esquema, respectivamente.

A investigação do MPSP já contabiliza 15 mandados de busca e apreensão, visando a Colonizadora Planalto Paulista e a Fonamsp, uma entidade considerada de fachada e responsável pela falsificação de documentos. Até o momento, os resultados das prisões não foram confirmados.

O esquema, que começou a se desenrolar em novembro de 2021, envolveu a falsificação de compromissos de compra e venda, com documentos referentes a 448 imóveis e uma nota promissória de R$ 635 milhões. Laudos periciais indicaram que as assinaturas do empresário e de seu procurador foram obtidas por meio de métodos fraudulentos.

Em agosto de 2024, o grupo começou a notificar o espólio de Di Genio, exigindo o pagamento da dívida bilionária. Quando a inventariante negou o reconhecimento da operação, os investigados tentaram enganar o sistema judiciário com um pedido de habilitação de crédito no processo de inventário. Apesar da reserva inicial do valor, essa decisão foi anulada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo após indícios de fraude serem revelados.

As investigações revelam um panorama alarmante de como indivíduos com histórico criminal utilizam a falsificação de documentos e outros métodos fraudulentos, para encobrir um esquema de cobranças ilegítimas enquanto tentam dar uma aparência de legalidade às suas ações criminosas.

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