Greve na USP: Alunos de 104 cursos protestam por melhores condições e contra privatização em marcha marcada para quinta-feira na Av. Faria Lima.

Alunos de 104 cursos da Universidade de São Paulo (USP) entraram em greve por tempo indeterminado, motivados por preocupações acerca da precarização das condições acadêmicas e de permanência na instituição. A mobilização foi organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e teve início no dia 14 de abril. As principais reivindicações dos alunos incluem melhorias nas condições de alimentação nos bandejões da universidade e o fim da privatização desses serviços, além de um aumento no valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que os alunos desejam que seja equiparado a um salário mínimo paulista.

As paralisações não se restringem à capital, abrangendo também os campi do interior de São Paulo, como USP São Carlos e Ribeirão Preto, onde diversos cursos, incluindo Química, Educação Física e Psicologia, aderiram ao movimento. Entre os cursos da capital que participam da greve estão os da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Escola Politécnica (Poli) e a Escola de Comunicações e Artes (ECA).

Os alunos expressam suas insatisfações em relação à qualidade oferecida nos restaurantes universitários e à falta de apoio para a permanência estudantil. Além disso, reivindicam a defesa dos espaços estudantis e isonomia nas condições de trabalho entre docentes e funcionários. Esta última demanda surge em solidariedade à greve dos trabalhadores da USP, que estão lutando por um reajuste salarial, após a recente aprovação de um bônus para professores que atuarem em projetos extracurriculares.

A discussão sobre benefícios tem gerado descontentamento na comunidade universitária, especialmente após a decisão do Conselho Universitário, que, em março, concedeu um bônus de R$ 4.500 aos docentes. Tal medida foi interpretada como uma exclusão de trabalhadores que desempenham papéis fundamentais na instituição, mas receberam nenhuma consideração em termos de benefícios.

Diante do cenário, o DCE convocou uma marcha para a Av. Faria Lima, programada para o dia 23 de abril, buscando aumentar a visibilidade das reivindicações e alertar sobre a precarização enfrentada pela universidade. A mobilização reflete um descontentamento crescente entre os alunos, que insistem que não aceitarão intervenções do mercado na educação pública.

Procurada, a assessoria de imprensa da USP informou que está atenta à greve e reiterou seu compromisso em garantir a qualidade da alimentação nos bandejões, além de não ter a intenção de restringir a atuação das entidades estudantis. A tensão entre as demandas dos alunos e a administração da universidade continua a aumentar, enquanto a mobilização busca chamar atenção para questões essenciais de acesso e qualidade na educação superior.

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