A situação foi particularmente crítica para a auxiliar de serviços gerais Shirlaine Marçal, de 42 anos, que, ao acordar às 3h30 para chegar ao trabalho no Centro do Rio, enfrentou longas esperas por ônibus, que estavam escassos devido à greve. A corrida em busca de uma van que pudesse levá-la ao Terminal do BRT expôs Shirlaine a um cenário caótico, com filas imensas e falta de informação. Em um momento de desespero, ela testemunhou aglomerações perigosas e o estresse coletivo que se alastrava entre os passageiros.
“É uma situação horrível. Nunca vi o Terminal Gentileza tão lotado. Há um desespero generalizado para entrar nos ônibus, o que pode causar acidentes”, afirmou, reconhecendo que mesmo tendo se preparado cedo, chegou atrasada ao trabalho. O desafio apenas começava: depois de um dia exaustivo, ainda teria de cuidar da casa e da família.
Esse quadro de transtornos foi compartilhado por Tamara Quintela, enfermeira de 28 anos, que, ao fazer um trajeto que normalmente dura 25 minutos, levou mais de uma hora e meia para chegar em casa. “A experiência eleva nosso estresse e nos desanima, e tudo isso impacta nossa saúde mental. Entendemos a luta dos rodoviários, mas nos sentimos impotentes diante dessa situação”, lamenta.
A paralisação ocorre em um contexto de frustração também por parte dos trabalhadores. O Sindicato dos Rodoviários rejeitou a proposta de suspensão da greve apresentada por autoridades e, em votação, decidiu manter a paralisação por tempo indeterminado, defendendo um reajuste salarial dividido em duas parcelas totalizando 17%.
Enquanto isso, a população continua a sofrer as consequências nas ruas, com filas mais longas, ônibus lotados e um impacto direto na rotina de quem depende desse serviço essencial. O TRT-1, por sua vez, busca mediar a situação, mas a resolução do conflito ainda parece distante. A falta de um consenso entre as partes envolvidas pode indicar que os desafios para a população e para os rodoviários estão longe de ter um fim.
