Gravuras de Matisse roubadas em São Paulo são recuperadas; obras de Portinari continuam desaparecidas e mentor do crime permanece preso, segundo autoridades.

Em um desfecho surpreendente para um caso de roubo que chocou o cenário cultural brasileiro, as gravuras do renomado artista francês Henri Matisse, subtraídas da Biblioteca Mário de Andrade em São Paulo em dezembro de 2025, foram recuperadas na última quinta-feira, 13 de julho, em uma residência localizada em São Bernardo do Campo. A informação foi divulgada pelo secretário da Segurança Pública do estado, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que confirmou a apreensão das obras.

As oito gravuras encontradas, avaliadas em mais de R$ 1 milhão, são parte de um assalto que ocorreu em 7 de dezembro do ano passado. Na mesma ocasião, cinco obras de Candido Portinari foram igualmente roubadas, mas permanecem, até o momento, desaparecidas. As autoridades temem que essas peças já tenham sido comercializadas no mercado clandestino de arte.

O responsável pela residência onde as gravuras de Matisse foram encontradas foi preso em flagrante por receptação. As investigações da Polícia Civil ainda revelaram que uma arma de fogo estava no local, levando à incriminação adicional por posse ilegal. Esta operação foi conduzida pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas, que intensificou suas atividades desde o dia do crime.

O mastermind por trás do roubo, definido como Laéssio Rodrigues — considerado um dos maiores ladrões de arte do Brasil — já se encontra detido. Rodrigues foi preso em abril de 2026, após uma tentativa de suborno a um agente de segurança de um instituto no Rio de Janeiro, em uma proposta cujo valor ultrapassava R$ 500 mil. A ordem de prisão foi emitida pela 15ª Vara Federal do Rio e executada em São Bernardo do Campo.

O assalto à Biblioteca Mário de Andrade, realizada em uma manhã de domingo, foi meticulosamente planejado. Dois homens, disfarçados de visitantes, acessaram a exposição armados com um martelo e uma arma de fogo. Após dominarem a vigilante, eles começaram a retirar as obras expostas da coleção, agindo com uma precisão alarmante que lhes permitiu sair tranquilamente pela porta principal antes de um imprevisto: o carro que os aguardava nas proximidades apresentou problemas mecânicos, obrigando-os a abandonar a fuga.

As obras de arte que foram alvo do crime faziam parte da exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade” e estão seguradas, o que traz um alívio aos responsáveis pela instituição. Inaugurada em 1926, a Biblioteca Mário de Andrade é a segunda maior do Brasil, com um acervo que inclui 327 mil livros e 51 mil obras raras, além de ser um ícone arquitetônico em estilo Art Déco na Rua da Consolação, em São Paulo. A recuperação das gravuras é um alento para o patrimônio cultural da cidade, que enfrenta desafios constantes em sua conservação e proteção.

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