Em suas palavras, Ceron enfatizou a necessidade de manter a discussão concentrada na crise do petróleo e nos mecanismos que podem ser empregados para enfrentá-la. O secretário se mostrou preocupado com a possibilidade de que debates paralelos possam comprometer o foco original da proposta, que foi elaborada para abordar especificamente a questão dos combustíveis e os impactos da volatilidade dos preços do petróleo. A relatora do projeto, deputada Marussa Boldrin, ainda não apresentou um relatório definitivo e estuda a inclusão de dispositivos que tratariam da renegociação de dívidas rurais, o que pode adicionar mais complexidade à tramitação.
O governo manifestou um desejo de acelerar a aprovação da medida, a fim de possibilitar uma redução de tributos que beneficie a população. Apesar disso, o texto ainda não avançou significativamente, mesmo após a urgência aprovada na Câmara dos Deputados, decorridas quase duas semanas desde o seu envio. Ceron expressou que a principal preocupação do governo reside na obtenção de um dispositivo legal que permita reação imediata caso a Petrobras decida reajustar o preço da gasolina, um movimento que, segundo ele, ainda não se materializou.
Ao ser indagado sobre a lentidão do processo legislativo e a crescente dificuldade financeira enfrentada pela população devido à alta dos preços, Ceron respondeu com cautela. Ele destacou que a Petrobras opera de acordo com sua própria governança e que, em termos de gasolina, a empresa tem maior liberdade em suas decisões porque a produção ocorre localmente. Ceron finalizou ressaltando que, embora a urgência seja uma questão social, a avaliação acerca da celeridade do avanço do projeto cabe ao Congresso, e a sociedade deve decidir se apoiará esse caminho e com que rapidez. Ele acredita que, dada a natureza das pautas econômicas, que geralmente são vistas como questões de Estado, haverá um movimento em direção à aprovação, evitando disputas ideológicas e polarizações.
