
Apenas 10% da população alagoana é usuária de planos de saúde privados, e ainda assim essa mesma porcentagem utiliza os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em situações de urgência e emergência. Sendo assim, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesau) está em planejamento para estruturar o fluxo de pacientes que devem utilizar os novos hospitais que o Governo do Estado está construindo, visando atender às necessidades da demanda, conforme está assegurado pela Constituição Federal.
Em um eventual acidente de trânsito, por exemplo, hoje o socorro é feito pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ou Corpo de Bombeiros, e levado unicamente ao Hospital Geral do Estado (HGE), independente de classe social e poder aquisitivo. Somente após os primeiros atendimentos é que a família pode solicitar a transferência intra-hospitalar, mediante autorização médica. Isso resulta, somado a todos os outros casos socorridos em Alagoas, em lotação no HGE, cuja média de atendimentos mensais ultrapassa 15 mil.
“Grande parte dos problemas que temos enfrentado são decorrentes dos erros de gestão no passado. Se não passarmos a adotar estratégias de planejamento agora, essa realidade não mudará e amanhã surgirão novos problemas. É preciso que acabemos com o improviso, tornemos todos os projetos mais organizados e caminhemos para a mesma direção. São essas questões que eu tenho batido na tecla desde que assumi a pasta”, destacou o titular da Sesau, Christian Teixeira.
A declaração aconteceu nesta quinta-feira (19), durante o “Seminário Planejando a Saúde em Alagoas – A nova estruturação da saúde pública alagoana”, promovido pela Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio em sua sede. No encontro também contribuíram com informações, representantes da Governança, Gabinete Civil, Controladoria Geral do Estado (CGE) e Procuradoria Geral do Estado (PGE); além da equipe gestora da Sesau e representantes da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e Hospital Erasto Gaertner (PR).
“O governador Renan Filho tem dado todo destaque à Saúde. Enquanto estamos construindo novos hospitais, outros estados debatem como não fechar os existentes. Isso acontece porque temos procurado construir pontes, permitido que o Poder Público possa caminhar junto com os empresários. A união de todas as esferas públicas e privadas tem contribuído com a eficiência das ações que beneficiam todos os alagoanos”, expôs o secretário de Estado da saúde.
O conselheiro do Hospital Erasmo Gaertner, Ari Paiva, apresentou o case de sucesso referente à gestão deste hospital filantrópico paranaense. Ele derivou todos os êxitos aos planejamentos feitos e a visão de enxergar os pacientes como únicos protagonistas para o sucesso de todas as iniciativas. “Quando iniciamos a gerência, encontramos um hospital decadente, com problemas e inadequações em praticamente tudo. Precisamos planejar para intervir, com controle, em tudo. Hoje somos reconhecidos como referência no cuidado integrado, ensino e pesquisa e novas tecnologias no diagnóstico e tratamento do câncer”, disse com orgulho.
O representante da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Luiz Mello, apresentou o modelo de gestão dos paulistas, que centraliza os casos mais graves em um hospital estruturante (alta complexidade), enquanto grande parte dos atendimentos (menos graves) acontece em hospitais de apoio, estratégicos, de pequeno porte; além das Unidades Básicas de Saúde (UBS).
“Foi muito importante buscar nas unidades já existentes as suas capacidades, para a partir daí investir nos serviços insuficientes e/ou ausentes. Também necessitamos adequar todo o fluxo de atendimentos do Estado e compreender a lógica do sistema. Com isso, ganhamos em economia e eficiência nas ações, desencadeamento a satisfação do nosso público, o povo”, afirmou.
Entretanto, o superintende de Atenção a Saúde, José Medeiros, pontuou que Alagoas necessita que seus municípios encontrem caminhos e alternativas que fortaleçam a Atenção Básica. Para se ter uma ideia, mais de 70% dos atendimentos no maior hospital público do Estado poderiam ser solucionados e/ou prevenidos nas unidades de saúde municipais.
“As dificuldades são imensas, mas em cada situação pode-se encontrar serviços que tem dado certo. É estratégico para todos que estejamos integrados. Técnicos dispostos a ajudar existem na Sesau, bem como nas várias unidades espalhadas pelo nosso Estado”, assegurou.
O evento
Nos últimos meses, o gestor da Seplag, Fabrício Marques Santos, tem organizado seminários pautados em assuntos referentes ao planejamento. Para isso são convidados técnicos das áreas envolvidas para debate de ideias e partilha de experiências, no objetivo de que a fusão contribua com as ações do Governo de Alagoas.
“No caso da Saúde, a necessidade veio por conta dos altos investimentos, gastos decorrentes das construções dos hospitais da Mulher, Metropolitano, Regional do Norte e demais que estão em fase de licitação. Também vale enfatizar que, após a inauguração, existe um custeio mensal com o funcionamento de cada um. Para evitar que no futuro encontremos dificuldades na gerência deles, é preciso que de agora adotemos um planejamento estratégico”, justificou o secretário de planejamento.
Ascom – 20/10/2017







