Integrantes da equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que a resolução deste impasse não deve ser alcançada antes do encerramento do processo eleitoral. Na última quinta-feira, o governo brasileiro notificou oficialmente os Estados Unidos sobre sua intenção de responder às tarifas de 25% e 12,5% já aplicadas desde julho passado, durante a gestão de Donald Trump. Este processo de reciprocidade, que envolve consultas com diversos setores da economia nacional afetados pelas tarifas, deve se estender entre 60 e 90 dias.
Contudo, a situação é fluida e pode ser alterada rapidamente. Na visão do governo, caso os Estados Unidos decidam implementar novas medidas punitivas, o Brasil poderá antecipar sua resposta, aplicando tarifas a produtos americanos antes mesmo do término do prazo estabelecido para o processo.
Entretanto, a estratégia preferida pelos assessores de Lula é buscar alternativas menos danosas economicamente, como a suspensão das obrigações de propriedade intelectual sobre produtos dos EUA, proibindo remessas de royalties, assim evitando possíveis prejuízos para as empresas brasileiras. O governo está ciente de que a reciprocidade deve ser uma abordagem cautelosa, que não comprometa o desenvolvimento da economia nacional.
Além disso, a estratégia de taxar produtos americanos só seria considerada viável se houver alternativas similares provenientes de outros países. A utilização da Lei de Reciprocidade é vista como uma medida fundamental para desestimular novas ações punitivas contra o Brasil, enquanto a expectativa é de que o retorno ao diálogo sobre as tarifas só ocorra após a conclusão do processo eleitoral.
Os assessores de Lula também avaliam que os responsáveis pela política norte-americana só retornarão às negociações após as eleições. Existe a percepção de que, caso Flávio Bolsonaro vença, os Estados Unidos poderão ter mais facilidade em impor suas demandas, enquanto uma vitória de Lula indicaria a necessidade de um novo tipo de negociação, dado o prolongado mandato do presidente brasileiro até 2028.
