Ministros e assessores alinhados ao governo indicam que a inclusão da referência busca enfatizar a ligação entre a decisão americana e a atuação da família Bolsonaro. A administração associou essa designação às recentes atividades do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se reuniu com personalidades como Donald Trump e Marco Rubio, um senador americano. Durante essas interações, Flávio e seus aliados celebraram a iniciativa de Trump, ressaltando a aproximação entre os Estados Unidos e a visão conservadora da família.
Entretanto, a avaliação feita pelo Palácio do Planalto sugere que tal medida pode acarretar sérias repercussões para a soberania nacional e para a colaboração bilateral nas áreas de segurança e combate ao crime. O governo de Lula manifesta uma preocupação que transcende as organizações criminosas em si; ele se mostra mais apreensivo com as potenciais implicações jurídicas e diplomáticas que podem advir da designação, que, segundo críticos, poderia subestimar a autonomia do Brasil em suas políticas internas.
Em comunicado oficial, o governo expressou indignação com as ações da família Bolsonaro, alertando que “é deplorável que membros desta família promovam intervenção estrangeira no Brasil, refletindo um histórico de decisões prejudiciais ao país.” Essa linha de pensamento reafirma a insatisfação da administração atual com a aproximação dos Bolsonaro a autoridades estrangeiras, especialmente em assuntos sensíveis como segurança nacional.
Antes da divulgação do comunicado, houve uma reunião no Palácio do Planalto, onde ministros discutiram a resposta ao anúncio americano. Embora Lula estivesse fora de Brasília, já tinha dado seu aval ao conteúdo do texto. O governo levou, inclusive, quase 18 horas para se pronunciar, buscando calibrar o tom da manifestação de modo que não fosse interpretada como uma defesa dos criminosos. Esse cuidado se faz necessário em um momento em que Lula enfrenta uma intensa pauta de combate ao crime organizado e suas implicações na sociedade.





