A medida tomada pelo Departamento de Estado se baseia na alegação de que o Brasil estaria demorando a conceder o agrément, ou seja, a anuência necessária para a nomeação de Daniel Perez como embaixador dos EUA no país. Em resposta, o governo brasileiro destacou que o processo de concessão de agrément deve ser tratado de forma confidencial, e que o nome do indicado somente deveria ter sido divulgado após a própria autorização. O comunicado afirma que o nome de Perez foi tornado público antes mesmo do pedido formal de agrément ter sido apresentado às autoridades brasileiras.
Além disso, o Palácio do Planalto defendeu que não existe prazo estipulado na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas para a concessão desse tipo de autorização, e que o pedido norte-americano ainda está em avaliação. A nota ainda elenca a situação como parte de uma série de ações hostis por parte dos Estados Unidos, motivadas por um cenário de conflito ideológico que compromete uma aliança bilateral baseada em respeito mútuo. O governo sugere que a decisão está diretamente ligada a interesses externos na política interna brasileira, especialmente em relação às próximas eleições presidenciais.
A revogação do visto da embaixadora vem dez dias após uma ação do Itamaraty, que negou vistos a dois diplomatas americanos considerados envolvidos em uma estratégia de questionamento da integridade do sistema eleitoral do Brasil, conforme reportado por veículos de comunicação. O governo brasileiro enfatizou que essas tentativas de interferência na política nacional são inaceitáveis e reafirmou que ainda há sanções em vigor contra autoridades brasileiras, incluindo cancelamentos de vistos, numa referência às alegações de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Num tom conciliatório, o governo enfatizou que está disposto a dialogar para resolver as divergências existentes e que o presidente Lula, durante visita a Washington, pleiteou junto ao ex-presidente Trump a revogação das sanções individuais. A nota conclui com uma reafirmação da postura do governo brasileiro, que prefere promover a negociação e o diálogo como meios para resolver conflitos em suas relações internacionais.
