Governo Lula espera novas sanções dos EUA após julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe, aumentando tensão nas relações bilaterais.

O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está se preparando para uma nova onda de sanções econômicas provenientes dos Estados Unidos, em função do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Na próxima terça-feira, a Primeira Turma do STF iniciará os julgamentos dos acusados de serem os principais responsáveis pela tentativa de um golpe de Estado, uma acusação que recai fortemente sobre Bolsonaro, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Conforme a PGR, Bolsonaro é visto como o “principal articulador” das tentativas de se manter no poder após sua derrota nas eleições de 2022. A situação de Bolsonaro já está sendo monitorada de perto pela administração americana, que mencionou especificamente o caso como um dos fatores que resultaram em um aumento de 50% na tarifa de importação de produtos brasileiros, medida implementada em agosto.

O contexto atual é considerado delicado por assessores de Lula, que percebem a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos como entrando em uma “fase crítica”. Eles acreditam que uma eventual condenação de Bolsonaro poderia desencadear novas sanções, não apenas contornando o ex-presidente, mas atingindo também membros do STF.

Apesar da turbulência, os auxiliares de Lula insistem que as preparações para uma resposta de reciprocidade por parte do Brasil não são uma reação imediata ao julgamento, mas sim um planejamento de longo prazo. Isso inclui a possibilidade de medidas que levariam tempo para serem implementadas, possivelmente se concretizando entre o final deste ano e 2026.

Diplomatas brasileiros estão cientes de que iniciar esse processo pode facilitar um diálogo com os EUA, que até agora têm se mostrado reticentes em negociar sobre o tema. O governo tem feito uma avaliação cuidadosa, reconhecendo que a percepção de que a tarifa é uma punição política para Bolsonaro circula tanto no Brasil quanto no exterior.

Atualmente, não existem planos concretos para a imposição de barreiras tarifárias, sendo que as respostas a novas sanções seriam mais de natureza política. Entre as medidas em discussão estão ações inesperadas, como a quebra de patentes em áreas como a farmacêutica ou a taxação de serviços digitais, como streaming, para sinalizar um posicionamento firme sem afetar diretamente o setor produtivo brasileiro. Essas estratégias estão sendo ponderadas com atenção, levando em conta as repercussões internas e externas de cada decisão.

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