O uso do FGTS, no entanto, será restrito. Segundo Durigan, haverá um limite para a garantia do fundo durante o programa. “Os saques serão condicionados ao pagamento das dívidas, sem que o valor sacado ultrapasse a própria dívida”, explicou. O ministro se reuniu com líderes de importantes bancos, incluindo BTG Pactual, Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Nubank, além de ter conversado com representantes do Citibank.
Durigan afirmou que o objetivo primordial do novo Desenrola é reduzir o elevado índice de inadimplência no país, que persiste em um cenário de juros altos, mas que tende a cair nos próximos meses. Ele destacou que o programa irá focar na renegociação de débitos que as famílias enfrentam, como dívidas de cartão de crédito, crédito direto ao consumidor e cheque especial.
O novo Desenrola contará ainda com a participação do Fundo Garantidor de Operações (FGO), que terá um aporte para garantir a renegociação das dívidas. Embora os detalhes ainda não tenham sido completamente revelados, o ministro mencionou que o programa pode oferecer descontos significativos—de até 90%—nas renegociações. “Estamos em negociação para exigir que as taxas de juros sejam reduzidas substancialmente, principalmente em segmentos com custos elevados, que oscilam entre 6% e 10% ao mês”, comentou.
No entanto, Durigan foi enfático ao afirmar que o programa não se configura como uma solução de longo prazo. Segundo ele, o Desenrola não deve ser visto como um “Refis periódico”, mas sim como uma medida excepcional, direcionada a enfrentar a atual crise financeira que afeta muitas famílias brasileiras. Ele reiterou que, apesar da expectativa de beneficiar milhões de pessoas, como ocorreu na primeira edição do programa—que atendeu cerca de 15 milhões de pessoas e permitiu a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas—, as medidas adotadas são pontuais e não devem ser esperadas repetidamente.
