Governo e Agropecuária Negociam Medida Provisória para Refinanciamento de Dívidas Rurais em Reunião no Ministério da Fazenda

As negociações entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estão avançando em torno da criação de uma Medida Provisória (MP) para o refinanciamento das dívidas do setor agrícola. A reunião, realizada no Ministério da Fazenda, contou com a presença do ministro Dario Durigan, do líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, e de parlamentares da bancada ruralista.

O encontro teve como foco um projeto de lei aprovado recentemente pelo Senado, que atualmente está sob consideração na Câmara dos Deputados. A ideia de lançar uma MP surgiu como uma estratégia para acelerar o entendimento entre o governo e o legislativo. O líder do governo, Paulo Pimenta, comentou que a discussão ainda está aberta e que diversos pontos, como juros, prazos e regras de enquadramento, precisam ser analisados.

Apesar do diálogo positivo, Pimenta destacou que o Executivo não vê com bons olhos a extensão da proposta a todos os produtores. O ex-ministro Silvio Costa Filho também se pronunciou, afirmando que é necessário encontrar um caminho que concilie a tramitação do projeto e a possível edição da MP.

O presidente da FPA, Pedro Lupion, mencionou que uma eventual MP poderia incluir elementos do texto já aprovado no Senado, mas ainda existem divergências significativas que precisam ser resolvidas. Ele enfatizou que as negociações estão em andamento e que a intenção é atender ao maior número possível de produtores.

O projeto em discussão prevê a utilização de fundos do pré-sal e outras fontes para criar uma linha de financiamento voltada ao refinanciamento de dívidas rurais. Inicialmente, seriam disponibilizados até R$ 10 milhões por beneficiário e até R$ 50 milhões para associações ou cooperativas, com prazos de pagamento que podem chegar a 10 anos, além de até três anos de carência.

Os custos do projeto estão sendo debatidos, com estimativas variando entre R$ 5 bilhões a R$ 200 bilhões em dívidas, e o impacto fiscal podendo girar em torno de R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos. A construção de um consenso entre os diversos interesses envolvidos no setor agropecuário será um fator crucial para a viabilização dessa proposta.

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