Governo de SP Chama PT de “Narcoafetivo” em Meio a Julgamento Contra Nicolás Maduro e Reações Severas do Partido aumentam Tensão Política

Em um contexto de crescente tensão política e criminal, o governador em exercício de São Paulo, Felício Ramuth, tem lançado contundentes acusções contra o Partido dos Trabalhadores (PT), chamando-o de “narcoafetivo”. Essa declaração surge em meio a um julgamento nos Estados Unidos envolvendo o presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado de ter laços com o narcotráfico. A postura de Ramuth faz parte de uma estratégia mais ampla da direita brasileira, que busca associar adversários políticos ao crime organizado.

Ramuth, que ocupa o cargo na gestão do governador Tarcísio de Freitas, listou cinco supostos pontos que conectariam o PT ao narcotráfico e ao crime organizado. Tal arguição gerou forte reação do partido, que alega que se trata de uma tentativa deliberada de manipulação da opinião pública através de informações enganosas e fake news. O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, enfatizou que tais ataques são inaceitáveis, especialmente quando provêm de um representante eleito.

Um dos argumentos de Ramuth gira em torno da oposição do PT ao Projeto de Lei Antifacção, que alegadamente equipararia facções criminosas a grupos terroristas, uma comparação que suscitou preocupações sobre possíveis intervenções estrangeiras no Brasil. Além disso, o governador em exercício criticou a postura do PT em relação à “saidinha de presos”, um benefício que foi discutido pelo governo anterior, onde o presidente Lula vetou o fim dessa prática, decisão que posteriormente foi derrubada pelo Congresso.

Outro ponto polêmico destacado foi uma declaração de Lula, que em uma conferência na Indonésia, insinuou que traficantes poderiam ser vistos como vítimas dos usuários de drogas. Para Ramuth, essa afirmação revela uma postura que minimiza a gravidade do tráfico. Ademais, o vice-governador insinuou que o PT teria um acesso facilitado a áreas dominadas por facções criminosas, relembrando agendas do partido em locais como o Complexo do Alemão durante a campanha presidencial passada.

Ramuth também mencionou uma visita de Lula à Favela do Moinho, onde, segundo o vice-governador, ministros do governo dividiram palco com figuras associadas ao crime organizado. Essa menção à favela tem o objetivo de fortalecer sua narrativa de que o PT estaria se associando a práticas ilegais, reforçando a ideia de uma suposta conivência com o narcotráfico.

A utilização do termo “narcoafetivo” por Ramuth já havia sido feita anteriormente em sua fala, pois ele associou a política do PT à situação na Venezuela. Sua intenção é clara: transformar as acusações em uma narrativa que busca deslegitimar não apenas o partido, mas também a política progressista em geral.

Em resposta, o PT já anunciou que tomará medidas legais contra Ramuth para contestar as acusacões. A batalha político-judicial parece longe de terminar, refletindo o clima tenso e polarizado que marca a atual política brasileira. Essa disputa não só acirra ânimos entre os partidos, mas também coloca em evidência a fragilidade das relações políticas em um momento de crise econômica e social no país.

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