Governo Brasileiro Lança Coalizão Global para Combater Dengue e Promover Acesso a Medicamentos em Países em Desenvolvimento

O Ministério da Saúde do Brasil divulgou, nesta terça-feira, que o combate à dengue será a prioridade inicial da Coalização Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, uma iniciativa criada sob a presidência brasileira do G20 em 2024. O objetivo central dessa coalizão é garantir o acesso equitativo a medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde, com um foco especial em países em desenvolvimento, que frequentemente enfrentam dificuldades em suas capacidades de produção e inovação.

A dengue, uma doença endêmica em mais de 100 países e que afeta mais da metade da população global, foi escolhida como ponto de partida. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a doença resulta em uma estimativa de 100 a 400 milhões de infecções anuais. Ele associou a crescente propagação da dengue às mudanças climáticas, que favorecem a sua transmissão por meio do aumento das temperaturas, chuvas e umidade — fatores que também impactam outras arboviroses como a febre amarela e o chikungunya.

Um foco importante nas estratégias da coalização é a colaboração internacional. Padilha mencionou a parceria com a empresa chinesa WuXi para a vacina Butantan DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan em São Paulo. A colaboração tem como meta aumentar a produção do imunizante, prevendo a entrega de cerca de 30 milhões de doses até o segundo semestre de 2026.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) liderará o secretariado executivo da coalizão e contará com sua experiência em projetos de cooperação com nações, especialmente na África e América Latina, visando desenvolver competências locais e tecnologias de saúde eficientes.

Outra iniciativa relevante anunciada pelo ministério foi a produção nacional do medicamento Tacrolimo, amplamente utilizado por transplantados e que anteriormente carecia de um fornecimento estável. Em parceria com a Índia, a produção do medicamento garantirá que os pacientes não fiquem à mercê de crises globais, assegurando o acesso contínuo ao tratamento.

Além disso, Padilha revelou planos para estabelecer um novo centro responsável pela produção de vacinas de RNA mensageiro na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Este investimento, que soma R$ 65 milhões, faz parte de uma estratégia mais ampla para aprimorar a capacidade nacional de resposta a novas doenças, alinhando-se com as iniciativas de Fiocruz e Instituto Butantan. Assim, o Brasil avança na criação de instituições públicas com competência para desenvolver tecnologias necessitadas para a saúde pública e para uma pronta resposta a futuras pandemias.

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