A fala do ministro chega em meio a uma investigação pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que questiona práticas comerciais brasileiras. O processo, fundamentado na Seção 301 da legislação comercial americana, examina não apenas o funcionamento do Pix, mas também questões relacionadas à propriedade intelectual e o comércio informal, além da atuação de plataformas digitais no Brasil.
Durigan enfatizou que há dúvidas em território americano sobre o funcionamento do Pix e se comprometeu a trazer esclarecimentos nas negociações bilaterais. Ele destacou que o sistema brasileiro é uma infraestrutura pública de pagamentos reconhecida internacionalmente, comparando-o com iniciativas semelhantes nos Estados Unidos, como o FedNow e o Zelle. “Estamos à disposição para explicar”, afirmou.
Além disso, Durigan destacou a intenção do governo brasileiro de evitar qualquer tipo de pressão externa indevida sobre o Pix. “Precisamos afastar algum lobby não autorizado relacionado ao sistema”, disse o ministro. Ele reforçou a importância de manter um diálogo institucional, respeitoso e construtivo durante as conversas, destacando que interferências externas não são aceitáveis nem no Brasil nem nos Estados Unidos.
A declaração do ministro se insere em um contexto de crescente popularidade do Pix no Brasil, lançado pelo Banco Central em 2020 e já consolidado como o principal meio de pagamento digital no país. Em 2025, o sistema movimentou R$ 35,3 trilhões, representando um aumento significativo em relação ao ano anterior, com aproximadamente 80 bilhões de transações realizadas.
Em outro tema abordado na entrevista, Durigan defendeu o “Desenrola 2.0”, uma nova fase do programa voltado à renegociação de dívidas. O foco desta nova fase são dívidas mais recentes, com atraso entre 90 dias e dois anos. O ministro também mencionou a criação de uma linha de crédito específica para trabalhadores informais que ainda estão adimplentes, com previsão de anúncio para o final de maio ou início de junho.
Durigan também abordou a questão das apostas online, informando que os beneficiários do programa Desenrola ficarão impedidos de utilizar plataformas de apostas por um ano, como forma de incentivar uma recuperação financeira saudável.
