Governador de Roraima é Investigado por Fraudes em Licitações e Desvio Millonário de Recursos Públicos na Infraestrutura Estadual

Governador de Roraima Sob Investigação por Fraudes em Licitações

A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) revelou indícios de que Edilson Damião, atual governador de Roraima, atuou como “chefe do braço operacional” em um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos, envolvido na Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinf). Esses dados surgiram em um inquérito que se intensificou após a prisão do empresário Clóvis Braz Pedra, em janeiro deste ano, e a análise de celulares apreendidos pela polícia. O material coletado permitiu aos investigadores traçar conexões diretas com figuras de alto escalão do governo estadual.

Devido à natureza delicada das descobertas, a PF solicitou que o caso fosse encaminhado ao Tribunal de Justiça de Roraima, uma vez que envolvia uma autoridade com foro privilegiado. A decisão judicial reforçou essa mudança de instância, confirmando que havia “indícios da participação de agente público detentor de foro por prerrogativa de função”.

O cerne da investigação gira em torno da empresa C.B. Pedras Serviços e Construções Ltda., que, segundo a PF, operava como uma fachada em um esquema mais amplo, permitindo que contratos públicos fossem assinados enquanto a execução dos serviços seguia um esquema paralelo. Clóvis assumiu o papel de operador empresarial, legitimando os contratos, enquanto Disney Barreto Mesquita, ex-chefe da Casa Civil, é apontado como responsável pelo fluxo financeiro, utilizando uma rede de empresas para lavagem de dinheiro.

Os dados financeiros levantaram preocupações, com saques em espécie que somam cerca de R$ 1,7 milhão identificados sem explicações coerentes. Além disso, a empresa C.B. Pedras acumulou contratos expressivos, atingindo valores superiores a R$ 162,9 milhões entre 2021 e 2025. Tais números levantam a suspeita de irregularidades nas licitações.

Um aspecto crucial do inquérito destaca a condução das licitações, que, segundo a PF, eram realizadas de maneira presencial, apesar da preferência legal por métodos eletrônicos, o que sugeriria um direcionamento indevido dos contratos. A alegação de que essa prática favoreceria empresas locais foi questionada pelos investigadores, que consideraram o argumento como uma tentativa de restringir a concorrência.

A força da investigação foi amplificada pela extração de dados dos celulares. Mensagens revelaram uma comunicação frequente entre Clóvis e Edilson Damião, com alguns conteúdos considerados de natureza crítica. Em uma dessas mensagens, Clóvis indaga sobre a liberação de pagamentos e menciona a empresa como se fosse de sua propriedade, levantando a suspeita sobre um vínculo direto entre ele e o então secretário.

Além disso, uma planilha encontrada no celular de Clóvis, que apresentava o nome “Clóvis” associado a uma obra pública, trouxe mais implicações ao caso, dado que o documento foi enviado antes da publicação oficial do edital da licitação.

Por fim, outros diálogos levantaram a suspeita de que a empresa de Clóvis poderia estar funcionando como um “testa de ferro”, operando apenas no papel, enquanto outras empresas teriam responsabilidade pela execução real das obras.

Atualmente, o caso está sob supervisão do Tribunal de Justiça de Roraima, que determinará os próximos passos da investigação, que permanece em sigilo. A coluna tentou contato com o governador, que ainda não se manifestou sobre as acusações.

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