Golpes financeiros afetam um em cada três brasileiros, revela pesquisa da Anbima sobre o perfil do investidor em 2025. Segurança é prioridade nas finanças.

Em um cenário alarmante, uma pesquisa revela que um em cada três brasileiros enfrentou tentativas de golpe ou fraude financeira em 2025. O estudo, conhecido como “Raio X do Investidor Brasileiro”, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), entrevistou 5.832 pessoas com mais de 16 anos em todas as regiões do Brasil. Os dados foram coletados entre novembro e dezembro do ano passado e apresentados ao público no dia 23 de abril.

Os resultados do levantamento indicam que 34% da população experimentou ao menos uma situação de fraude no decorrer de 2025, com maior incidência entre investidores e indivíduos das classes A e B. Nesse contexto, 42% dos investidores relataram ter sido vítimas de golpes, enquanto a cifra para a classe AB foi alarmante: 47%.

O golpe mais comum identificado na pesquisa envolveu o acesso a links falsos, uma prática que, segundo os entrevistados, foi mencionada por 15% deles. Outras fraudes significativas incluem compras em lojas virtuais fraudulentas (7%), clonagem de contas do WhatsApp para solicitar dinheiro a contatos (5%), pagamentos de boletos falsos (5%) e clonagem de cartões de crédito ou débito (5%).

Uma análise por faixa etária trouxe à tona dados surpreendentes. Apesar da crença popular de que os idosos são os mais vulneráveis a fraudes, o levantamento aponta que os jovens estão mais expostos. Entre os millennials, 40% relataram ter sido vítimas, enquanto na Geração Z, o percentual foi de 38%. Em contrapartida, apenas 24% dos baby boomers (acima de 65 anos) se disseram atingidos, sugerindo que o uso intensivo de ambientes digitais pelos jovens contribui para essa maior vulnerabilidade.

Adicionalmente, a pesquisa de 2025 introduziu uma nova seção que examina o uso de assistentes de Inteligência Artificial (IA) na busca de informações sobre investimentos, que já é utilizado por 9% dos investidores. Este número supera outras fontes de informação, como Facebook e TikTok. O YouTube continua a liderar entre as plataformas consultadas, com 35% dos investidores recorrendo a ele, seguido pelo Instagram (27%) e televisão (21%).

O perfil dos usuários de IA revela um público majoritariamente masculino, com 67% de homens e uma concentração significativa de jovens e pessoas de alta renda. A pesquisa também concluiu que 88% dos investidores que utilizam IA têm intenção de continuar investindo em 2026, indicando uma predisposição positiva em relação ao mercado financeiro.

Se as intenções de investimento se concretizarem, o Brasil poderá registrar 8,7 milhões de novos investidores no próximo ano, de acordo com as projeções. No entanto, Marcelo Billi, superintendente da Anbima, reforça a necessidade de cautela ao interpretar esses dados, já que frequentemente há um viés otimista nas respostas dos entrevistados.

Atualmente, o Brasil conta com 60,6 milhões de investidores, o que representa 36% da população. A pesquisa identificou uma queda no uso da tradicional caderneta de poupança, utilizada por 61% dos investidores, enquanto os títulos privados ganharam espaço, subindo de 8% para 20% nas carteiras em um período de cinco anos.

Por fim, a pesquisa evidencia um avanço na cultura de investimentos no Brasil, mas também ressalta as barreiras significativas que ainda persistem. O acesso à informação de qualidade e à educação financeira continua a ser essencial para transformar a poupança em investimento.

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