Um dos principais projetos em foco é o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, criado nos anos 1980 com uma capacidade impressionante de transportar até 7 milhões de barris de petróleo por dia até o mar Vermelho, sem depender do estreito de Ormuz. Especialistas indicam que essa iniciativa foi uma decisão visionária e a estatal Aramco está avaliando a ampliação de sua capacidade ou a criação de novas rotas para atender à crescente demanda e à necessidade de segurança.
Embora projetos anteriores de oleodutos na região tenham esbarrado em custos elevados e complexidades políticas, a atual conjuntura está mudando essa percepção. A necessidade de soluções estruturais, como uma rede integrada de corredores energéticos, emerge como uma questão prioritária, embora a implementação dessas alternativas enfrente desafios significativos. Uma possibilidade concreta é a interligação com o corredor IMEC, que uniria a Índia, o Golfo e a Europa.
Entretanto, a realização desses projetos não será simples. O custo de replicar o oleoduto Leste-Oeste, por exemplo, pode ultrapassar US$ 5 bilhões, enquanto rotas mais longas, que atravessam várias nações, podem chegar a US$ 20 bilhões. Além disso, questões de segurança, como a presença de militantes em algumas áreas e terrenos complicados, dificultam ainda mais a viabilidade dessas novas rotas.
Em um cenário dominado pela instabilidade, as opções mais viáveis a curto prazo parecem ser a expansão do oleoduto Leste-Oeste e o aumento da capacidade da rota Abu Dhabi-Fujairah, evitando a necessidade de infraestrutura que atravessa fronteiras. A Arábia Saudita também considera a ampliação de terminais no mar Vermelho, incluindo um porto profundo ligado ao ambicioso projeto Neom.
No campo diplomático, países da região aguardam um panorama mais claro sobre o futuro do estreito de Ormuz, enquanto o Reino Unido assume a liderança nas negociações para formar uma coalizão internacional que possa reabrir essa importante hidrovia.
Analistas destacam que, apesar da cautela em relação às movimentações geopolíticas, a crise atual já alterou a percepção do status quo energético, que dificilmente retornará ao que era anteriormente. Essa mudança de paradigma pode trazer desafios e novas oportunidades para os países do Golfo nos próximos anos.
