A direção é de Mini Kerti, que conheceu Preta desde os primeiros anos de sua vida e colaborou com ela em diversos projetos de videoclipes e publicidade. O documentário conta com depoimentos de 52 pessoas, incluindo familiares e amigos próximos. Entre os entrevistados, estão sua mãe, Sandra Gadelha, e sua irmã, Maria Gil, além de seu pai, Gilberto Gil, e a madrasta, Flora. A série também traz o relato de Francisco Gil, seu único filho, e de Otávio Muller, seu ex-marido, além de outros amigos e parceiros da artista, que revelam momentos significativos de sua vida pessoal e profissional.
O primeiro episódio é uma viagem no tempo, explorando a infância e adolescência de Preta. Gilberto Gil, ao explorar a chegada da filha em 1974, compartilha recordações de um passado repleto de emoção: “Passei oito dias chorando”. Para ele, a filha refletia as circunstâncias de um período tumultuado que enfrentaram.
A marca do tropicalismo, movimento cultural do qual Gil é um dos ícones, é constantemente lembrada ao longo do episódio. Caetano Veloso, tio de Preta e grande amigo da família, destaca o quanto Preta encarnou essa essência: “A espontaneidade e a ausência de preconceitos eram características dela”. O relacionamento com sua madrinha, Gal Costa, também é retratado, trazendo à tona momentos arejados da infância de Preta.
A série também não deixa de lado aspectos desafiadores da vida de Preta, abordando a questão do racismo enfrentado por ela desde a infância. Um episódio marcante é contado por sua mãe, ao relatar um incidente em que Maria, irmã de Preta, foi impedida de entrar em um transporte escolar por conta da cor de sua pele. A reação de Sandra foi um poderoso relato sobre proteção maternal em face da injustiça.
A relação de Preta com sua música também é explorada, revelando como, mesmo sem gosto pela canção “Drão”, composta por seu pai, ela encontrou uma nova apreciação após seguir sua carreira. O episódio culmina em uma performance com Gil em abril de 2025, quando a condição de Preta já era grave. Uma despedida que, segundo sua mãe e irmã, foi marcada por uma intensa vontade de viver, mesmo diante da dor.
Assim, “Meu Nome é Preta” não só celebra a vida de uma artista talentosa, mas também traz à luz questões profundas sobre identidade, resistência e amor em seus múltiplos matizes, configurando-se como um verdadeiro tributo à presença singular de Preta Gil na música e na sociedade.
