Durante sua análise, Mendes ressaltou que os pedidos de indiciamento por crime de responsabilidade devem ser levados por órgãos competentes, e não por comissões parlamentares. Para ele, a legislação que rege o processo de impeachment claramente atribui responsabilidades ao Senado, sua Mesa Diretora, e uma Comissão Especial, sem contemplar a atuação de CPIs nesse contexto. A situação levanta questões cruciais sobre os limites e a atuação das CPIs, especialmente quando se observa que tais pedidos podem ser interpretados como tentativas de interferir na independência judicial.
Além disso, Mendes destacou a gravidade do que considera uma tentativa de criminalização das concessões de habeas corpus, um princípio constitucional garantido que tem sido utilizado em diversos momentos durante os trabalhos da CPI. Ele enfatizou que a criminalização de decisões judiciais poderia abrir precedentes perigosos para a autonomia dos juízes, mencionando que essa conduta foi denunciada no passado por figuras proeminentes como Rui Barbosa. O impacto dessa discussão se intensifica, visto que a CPI tem sido palco de polêmicas a respeito da liberacão de convocados e testemunhas.
À medida que a votação do relatório final da CPI do Crime Organizado se aproxima, Mendes faz um apelo à reflexão sobre o papel das comissões investigativas e os seus limites, sublinhando a importância de respeitar as competências estabelecidas pela Constituição. Com a PGR já tendo sinalizado que não irá se manifestar sobre o pedido relativo ao Procurador-Geral Paulo Gonet, tudo indica que o impasse e as disputas institucionais ainda estão longe de uma resolução pacífica. A situação evidencia não apenas tensões entre os poderes, mas também a necessidade de um debate mais amplo sobre as funções e responsabilidades das CPIs no Brasil.






