Responsabilidade na Crise do Banco Master: Gilmar Mendes defende uma avaliação mais ampla
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, abordou a crise do Banco Master, destacando que a situação expôs falhas significativas na fiscalização do setor financeiro brasileiro. Mendes enfatiza, no entanto, que a responsabilidade pela crise excede as atribuições do STF, focando sua crítica em órgãos reguladores como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC).
Gilmar Mendes, em entrevista a um veículo de grande circulação, posiciona o STF como um ente eventual no escândalo, surgindo como alvo de críticas após a revelação das conexões entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, figura central no caso. Mendes foi incisivo ao afirmar que, embora não se pretenda isentar ninguém de suas responsabilidades, a origem da crise não se encontra na corte. Ele assegura que as ligações de colegas ministros estão sendo minuciosamente investigadas por autoridades competentes.
Em outro ponto da entrevista, o ministro compartilha sua visão sobre a recente rejeição ao nome de Jorge Messias para uma vaga no STF, atribuindo a decisão a uma disputa política acirrada e a desafios na articulação do governo atual no Congresso. Para ele, a falta de uma base sólida dificultou a materialização de pautas essenciais.
Gilmar também comentou sobre o Fórum de Lisboa, um evento que organiza em colaboração com instituições acadêmicas portuguesas, apesar de críticas em relação à presença de investigados. Ele reafirma que o evento, programado para os dias 27 a 29 de junho de 2026, na Universidade de Lisboa, mantém sua força com mais de 470 palestrantes confirmados e que não há controle sobre a participação de indivíduos sob investigação.
Em relação à proposta de um código de ética para o STF, Mendes considera que adaptações de modelos estrangeiros não se aplicam diretamente à realidade brasileira. Ele defende que reformas devem respeitar a cultura jurídica nacional e alerta que a criação deste código em um contexto político desfavorável pode ser problemática.
Por fim, ao abordar a perda de confiança no STF segundo pesquisas recentes, Mendes considera que isso é resultado de uma série de fatores, incluindo a maneira como perguntas são formuladas e a transferência de responsabilidades para a corte. Ele critica a ideia de que os problemas econômicos e de fiscalização decorram exclusivamente do desempenho do STF, afirmando que a crise do Banco Master se concentra na “Faria Lima”, referindo-se ao centro financeiro de São Paulo.
Gilmar Mendes reafirma que a crise do tribunal não é interna, mas admite que a discussão sobre um código de ética causou algumas desavenças dentro da corte. Em meio a um ambiente de intensa polarização e radicalização, ele sublinha a importância da continuidade das investigações que envolvem as fake news, ressaltando a necessidade de garantir o devido processo legal em todas as circunstâncias.





