Gatos domésticos como aliados na luta contra o câncer: estudo revela semelhanças genéticas que podem impulsionar tratamentos para humanos e felinos juntos.

Os gatos domésticos, apesar de sua fama como animais de estimação adoráveis, podem desempenhar um papel significativo no avanço de tratamentos contra o câncer em humanos. Recentemente, uma pesquisa internacional revelou que perto de 500 tumores felinos foram analisados, revelando notáveis semelhanças genéticas entre os tumores de gatos e os de seres humanos. Esse achado promissor pode abrir novas vias para a pesquisa e potencialmente beneficiar tanto os felinos quanto os seres humanos que lutam contra a doença.

O estudo se concentrou em 13 tipos diferentes de tumores em gatos, e os cientistas identificaram que muitos dos genes envolvidos no câncer felino também estão implicados em várias formas de câncer humano. Essa relação inclui cânceres comuns, como os de mama, hematológicos, ósseos, pulmonares, de pele e do sistema nervoso central.

Um dos insights mais significativos deste estudo foi a identificação do gene FBXW7, um conhecido supressor tumoral. Alterações frequentes desse gene em tumores mamários de gatos associam-se a formas mais agressivas de câncer de mama em humanos, destacando a relevância dessa pesquisa. O envolvimento de gene semelhantes em ambas as espécies sugere que compreender os processos tumorais em felinos pode fornecer valiosas informações sobre a patologia que aflige os seres humanos.

A equipe de pesquisa, que incluiu acadêmicos de instituições renomadas como o Instituto Wellcome Sanger e a Universidade de Guelph, analisou amostras coletadas em diversos países, como Canadá, Alemanha, Áustria, Nova Zelândia e Reino Unido. Juntos, os cientistas mapearam aproximadamente mil genes felinos que têm equivalentes humanos relacionados ao câncer.

Essa conexão genética não é uma surpresa total, já que estudos anteriores já haviam mostrado que os gatos compartilham cerca de 90% do seu material genético com os humanos, uma proporção maior do que a encontrada em cães. Além disso, os gatos e seus tutores muitas vezes estão expostos a fatores de risco similares, como poluição e substâncias carcinogênicas.

Os resultados também podem ter implicações valiosas para a medicina veterinária, uma vez que os pesquisadores identificaram a eficácia potencial da quimioterapia com vincristina para o tratamento de tumores mamários em gatos, reconhecendo esta forma de câncer como uma das mais comuns e letais entre os felinos. A expectativa é que esse tipo de descoberta não apenas contribua com a medicina veterinária, mas também sirva como um guia para futuros estudos clínicos visando tratamentos mais direcionados para essas doenças.

Para os especialistas envolvidos na pesquisa, esta é uma oportunidade única para expandir o entendimento sobre o câncer em ambas as espécies simultaneamente. Embora os pesquisadores reconheçam que anos de estudos ainda são necessários para traduzir essas descobertas em terapias concretas, consideram este trabalho um avanço notável no campo da oncologia comparativa, que investiga como doenças afetam tanto humanos quanto animais. O mapeamento dos 493 tumores de gatos representa um marco na genética do câncer felino e promete acelerar a compreensão dos mecanismos da doença, além de facilitar o desenvolvimento de tratamentos personalizados no futuro.

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