Esses custos fazem parte do custeio da máquina pública e refletem a dificuldade do governo em manter um equilíbrio fiscal. O arcabouço fiscal impõe um teto de crescimento para os gastos discricionários, limitando-o a 2,5% ao ano acima da inflação. Contudo, os gastos obrigatórios, como benefícios sociais e salários de servidores, estão crescendo a uma taxa superior a esse limite, o que reduz cada vez mais o espaço disponível para as despesas discricionárias.
Para o ano de 2026, o Ministério do Planejamento indicou que a margem para todas as despesas livres dos ministérios será de aproximadamente R$ 129,2 bilhões. Deste montante, mais de R$ 70 bilhões já estão comprometidos apenas com a manutenção da estrutura governamental, o que deixa um orçamento bastante reduzido para áreas críticas. Entre os setores que sentirão o impacto dessa limitação estão a infraestrutura, a defesa agropecuária, programas de bolsas acadêmicas, a fiscalização ambiental e trabalhista, e até a emissão de passaportes.
Essa pressão sobre o orçamento tem gerado um cenário desafiador para o financiamento de políticas sociais e educativas, essenciais em um país que enfrenta grandes demandas sociais e estruturais. Analistas econômicos expressam suas preocupações, apontando que o elevado custo da máquina pública não só dificulta a expansão de investimentos como também mina as possibilidades de progresso em áreas que poderiam beneficiar a população.
À medida que o governo busca alternativas para lidar com essa crise fiscal, a necessidade de reavaliar estratégias orçamentárias torna-se cada vez mais premente, uma vez que a falta de investimentos pode comprometer o futuro da sociedade brasileira e suas expectativas de desenvolvimento.
