Gabriel Galípolo pede urgência na aprovação da PEC do Banco Central durante depoimento à CPI do Crime Organizado, alertando sobre limitações estruturais da instituição.

Na última quarta-feira, Gabriel Galípolo, o presidente do Banco Central do Brasil, compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, realizada no Senado Federal. Durante sua participação, Galípolo fez um apelo enfático para que a proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Banco Central fosse aprovada pelo Congresso Nacional. Essa proposta, que está em tramitação há anos, busca garantir ao Banco Central uma autonomia que lhe permita operar de forma mais eficaz, com liberdade financeira, orçamentária e administrativa para contratar pessoal e investir em tecnologia. Segundo Galípolo, a adoção dessa PEC é crucial para que o Banco Central possa refletir a estrutura de outras instituições semelhantes ao redor do mundo.

O presidente do Banco Central enfatizou a importância da PEC ao destacar os desafios enfrentados atualmente pela instituição. Ele alertou que, sem a aprovação do texto, será cada vez mais difícil realizar a supervisão eficaz de instituições financeiras. Galípolo fez cálculos alarmantes, revelando que o Banco Central perdeu cerca de um quarto de seu quadro de servidores nos últimos dez anos, em grande parte devido a aposentadorias que não foram repostas. Atualmente, de um total de 6.470 cargos, mais de 3.400 permanecem vagos, resultando em uma carga excessiva sobre os cerca de 3 mil servidores que permanecem na ativa.

A comparação com outras instituicões também foi reveladora. Enquanto o Banco Central brasileiro possui apenas um servidor para cada 30 instituições supervisionadas, na Europa a proporção é de 30 funcionários para cada instituição, evidenciando desníveis na capacidade de supervisão. Galípolo também apontou a falta de recursos financeiros para tecnologia, mencionando que os servidores frequentemente trabalham em horários irregulares sem compensação extra, motivados apenas pelo senso de responsabilidade.

Num contexto mais amplo, o presidente do Banco Central abordou a magnitude do sistema financeiro brasileiro, que movimenta cerca de R$ 8 trilhões diariamente. Em meio a essa estrutura complexa, destacou-se o caso de fraude no Banco Master, que envolveu R$ 12 bilhões, e como a falta de recursos humanos e tecnológicos prejudica a identificação desse tipo de crime.

Galípolo deixou claro que a aprovação da PEC não significaria uma tentativa de blindar o Banco Central de auditoria ou supervisão externa. Pelo contrário, ele reforçou que mais instâncias de controle seriam benéficas para a instituição.

Enquanto Galípolo levantava essas questões, a ausência do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na CPI chamou atenção. Campos Neto, convocado como testemunha, não compareceu devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal. A CPI, que tem um prazo apertado para concluir seus trabalhos, enfrenta a pressão de não deixar questões de importância crítica sem resposta, especialmente em relação ao caso do Banco Master, que foi descrito como emblemático no contexto de corrupção que permeia as instituições brasileiras.

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