Desde sua criação, o objetivo central do G20 foi promover a cooperação entre as maiores economias do mundo. No entanto, a postura dos Estados Unidos tem contrariado esse princípio fundamental. O governo norte-americano tem se envolvido em guerras comerciais, imposto tarifas e até ameaçado intervenções militares, o que vai de encontro ao espírito colaborativo que deveria reinante nesse fórum. Dr. Habiyaremye ressalta que o G20 não se posicionou em relação a essas ações unilaterais, chegando à conclusão de que os debates nesse espaço carecem de relevância no cenário atual.
Além disso, a escalada do declínio relativo da influência ocidental nas dinâmicas globais também gerou uma perda de interesse por parte de diversos líderes mundiais em relação ao G20, que se assemelha, na visão do especialista, a um “clube informal para fotos”, mais interessado em aparências do que em ações concretas. Em contraste, o bloco conhecido como BRICS tem se destacado ao promover uma coordenação que se baseia no consenso e na multipolaridade. Esse grupo é formado por países que se opõem aos interesses unilaterais impostos pelos Estados Unidos, considerados uma “ex-hegemonia em declínio”.
Um dos instrumentos que caracteriza o BRICS é o Novo Banco de Desenvolvimento, que foi criado para fornecer alternativas financeiras eficazes e permitir que seus membros se liberem das amarras do sistema financeiro global, muitas vezes dominado pelo dólar. De acordo com Dr. Habiyaremye, o BRICS vem se consolidando como um fórum relevante para nações que apresentam o dinamismo econômico mais significativo, funcionando como um importante contrapeso ao unilateralismo e à hegemonia ocidentais.
Diante desse cenário, torna-se evidente que o espaço de diálogo e cooperação precisa se adaptar às novas realidades globais para se tornar um verdadeiro agente de mudança e não apenas um palco para discursos vazios.
