A situação se complica ainda mais pelo contexto da investigação. Em julho de 2023, um outro envolvido na sexta fase da operação que culminou na detenção de Canella também estava vinculado ao Detran-RJ. O delegado Marcus Amin, que presidiu o departamento de julho a outubro do mesmo ano, saiu do cargo para assumir a Secretaria de Estado de Polícia Civil, mas sua exoneração se deu nas mãos do governador Cláudio Castro, revelando uma teia de ligações políticas que persiste na investigação.
A Polícia Militar confirmou que sua Corregedoria iniciou um procedimento para investigar as ações do sargento responsável pela cautela do fuzil, que Canella alega ter sido deixado no veículo sem seu conhecimento. Na terça-feira, a operação resultou na prisão de Canella, que foi autuado por porte ilegal de arma de uso restrito. Ele teve sua prisão preventiva decretada em audiência de custódia realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A Operação Unha e Carne visa desarticular uma suposta quadrilha que utiliza postos de combustível para lavagem de dinheiro, tendo se originado a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que apontou transações superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. Embora Canella fosse inicialmente o alvo de um mandado de busca, sua casa foi alvo de apreensões adicionais, incluindo outros armamentos, munições e até relógios de luxo.
A investigação está em andamento, com mandados de busca cumpridos em 19 endereços relacionados a investigados nas cidades de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Entre os itens apreendidos estão 11 veículos de luxo, incluindo uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão e R$ 800 mil em espécie, encontrados em uma empresa de Niterói. A situação de Canella é ainda mais complicada por uma prisão adicional de um policial militar, flagrado com uma arma em um dos imóveis associados aos investigados.
A Operação Unha e Carne é parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF sob determinação do STF. Após manter-se preso, Canella foi transferido do Presídio José Frederico Marques para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, mais conhecido como Bangu 8, localizado no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, evidenciando o rigor da operação e a profundidade das investigações que continuam a se desenrolar.
