Futuro dos Pagamentos: Debate Sobre o CVV Revela Resistência em Abandonar Práticas Antigas no E-commerce Brasileiro

Em um ambiente marcado por inovações e mudanças rápidas, o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (CMEP), realizado em São Paulo, trouxe à tona uma questão intrigante e reveladora: a relevância do código de verificação do cartão (CVV) no checkout do e-commerce. Durante o evento, quase ninguém na plateia se manifestou em favor de sua manutenção, refletindo um consenso entre profissionais do setor de pagamentos: esse mecanismo tradicional, que protege as transações online, já não é mais suficiente. Embora o CVV ainda seja uma barreira significativa contra fraudes, segurando entre 8% e 10% dessas ocorrências, sua eficácia é uma sombra do que poderia ser, diante do avanço tecnológico.

O dilema central gira em torno da necessidade de abandono de práticas antigas por parte do mercado, que, ao mesmo tempo, depende delas para garantir a segurança. Os especialistas discutiram a evolução da autenticação digital, que tenta caminhar em paralelo com as táticas cada vez mais sofisticadas dos fraudadores. Lori Grandin, da SumUp, destacou que as transações realizadas sem o protocolo 3DS apresentam taxas de fraudes quatro vezes superiores às que são autenticadas. Este dado não apenas evidencia a urgência na transição para métodos mais seguros, mas também coloca em xeque a crença antiquada de que uma checkout complexo é a solução para prevenir fraudes.

A resistência do varejo digital à adoção de protocolos modernos, como o 3DS, está amplamente ligada a uma mentalidade enraizada que prioriza a complexidade em vez da simplicidade inteligente. Cássia Pinheiro, da Adyen, contextualizou esse fenômeno ao afirmar que a cultura acumulada nos primeiros anos do e-commerce levou muitos a pensar que dificultar o processo de compra tornava-o mais seguro contra fraudes. Esta abordagem, no entanto, pode ser contraproducente, pois a tecnologia já oferece soluções que minimizam a fricção e melhoram a experiência do usuário.

Além disso, o fenômeno das contas laranja — utilizadas por fraudulentos para realizar transações — desafia o setor, uma vez que essas contas frequentemente passam por todos os filtros de autenticação sem serem detectadas. A interpelação sobre a necessidade de uma integração mais eficiente de dados e uma metodologia coletiva entre emissores e credenciadoras emergiu como uma solução potencial.

Os especialistas enfatizaram que a inovação não pode ser apenas uma resposta às fraudes, mas uma realidade que precisa ser abraçada pelo setor financeiro. As futuras soluções devem permitir um checkout invisível, onde o processo se torne tão fluído que o consumidor nem perceba a transação, semelhante ao sistema de pedágios automáticos.

Assim, o futuro da autenticação e dos meios de pagamento evoluirá para um espaço onde segurança e experiência do usuário coexistem em harmonia, desafiando o status quo e descartando o CVV como uma relicário do passado. Essa mudança não apenas é necessária, mas inadiável para garantir que o Brasil se adeque aos padrões globais de segurança e inovação no setor de pagamentos.

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