Futebol e Ligas Americanas: A Corrida pela Globalização e a Superação de Barreiras no Mercado Esportivo

Nos últimos cinquenta anos, o mercado esportivo tem avançado rumo à globalização e à superação de fronteiras, especialmente na maneira como as ligas esportivas se conectam com seus torcedores ao redor do mundo. Inicialmente, isso ocorreu por meio da transmissão de ligas nacionais em outros países e da realização de turnês de amistosos, que começaram a estabelecer uma base sólida para essa expansão. Com o advento das redes sociais, a relação entre fãs e suas equipes favoritas se estreitou, permitindo um acesso mais direto aos seus ídolos e eventos esportivos. O passo seguinte, não surpreendentemente, foi levar os jogos oficiais das ligas a um público global.

Nesse cenário, a National Basketball Association (NBA) e a National Football League (NFL) têm se destacado, enquanto o futebol tradicional enfrenta desafios mais significativos. Recentemente, a NFL anunciou que, em 2026, realizará uma partida no icônico Maracanã, tendo como mandante o Dallas Cowboys. Essa partida será parte de um total de nove jogos programados fora da América do Norte, um recorde que supera os sete jogos do ano anterior, com planos de atingir 16 jogos em diferentes continentes no futuro.

A NBA também reconheceu a importância de expandir seu alcance, realizando partidas da temporada regular em várias regiões do mundo, incluindo Japão e, recentemente, em países europeus como Alemanha, Reino Unido e França. A liga americana percebeu que, diante da queda de audiência interna e da insatisfação com o estilo de jogo, a internacionalização se torna não apenas uma oportunidade, mas uma necessidade. Aproximadamente 15% de sua receita total – que gira em torno de 10 bilhões de dólares – vem do mercado internacional, que continua a apresentar um potencial de crescimento significativo.

Fábio Wolff, especialista em esportes, ressalta que essa expansão não ocorreu de forma abrupta, mas é resultado de um processo cuidadoso e planejado. Durante a pandemia, a demanda por experiências ao vivo se intensificou, levando as ligas a explorar esses novos mercados. A busca por experiências seguras e memoráveis se mostrou mais atraente para os consumidores, contribuindo assim para o sucesso dessas iniciativas globalizadas.

O Brasil, por sua vez, parece estar à margem desse movimento dinâmico. A falta de uma liga organizada e as limitações na discussão sobre internacionalização do futebol brasileiro deixam o país para trás em comparação com ligas europeias, que têm se beneficiado de pré-temporadas e outras iniciativas fora de seu território, especialmente na Ásia e no Oriente Médio. A LaLiga, por exemplo, tem buscado expandir sua presença fora da Espanha, mesmo enfrentando resistência de alguns clubes locais.

Em suma, enquanto as ligas americanas avançam rapidamente para conquistar novos mercados e fortalecer sua audiência global, o futebol brasileiro ainda precisa de uma abordagem mais estratégica para se colocar no cenário internacional, aproveitando as lições aprendidas com as experiências exitosas de seus homólogos.

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