Entretanto, o aumento nas receitas não veio sem desafios. O financiamento líquido dos clubes também cresceu, atingindo R$ 14,3 bilhões, o que representa um aumento de 15% em comparação ao ano anterior. Especialistas destacam que essa dinâmica é um reflexo da denominada “inflação da competitividade”, caracterizada pela escalada nos investimentos em elencos e nas negociações no mercado de transferências.
No dia a dia dos clubes, isso se traduz em uma realidade onde, embora estejam arrecadando mais, também estão gastando em proporções ainda maiores. Os custos operacionais, que englobam despesas com folha de pagamento, logística e manutenção de infraestrutura, cresceram 30% no último ano. Apesar do aumento das dívidas, o futebol brasileiro conseguiu alcançar um novo patamar de valorização. Dados apontam que os ativos totais dos clubes, abrangendo marcas, estádios e elencos, chegaram a R$ 47,4 bilhões.
O estudo da Sports Value também evidenciou a crescente concentração de recursos em um número restrito de clubes. Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense juntos responderam por 49% de toda a receita da Série A em 2025, o que evidencia a formação de uma elite econômica no futebol brasileiro, alimentada por SAFs, conquistas continentais e negociações internacionais.
Entre os clubes que se destacaram por não figurarem nos orçamentos mais altos, o Mirassol foi surpreendentemente destacado como o “unicórnio” financeiro da temporada, superando expectativas ao terminar o Brasileirão na quarta colocação, mesmo com a 19ª maior receita.
Por outro lado, o Corinthians se destaca como um dos clubes em situação financeira mais preocupante. O clube lida com um passivo significativo em relação ao financiamento da Neo Química Arena, além de dívidas fiscais e processos trabalhistas, o que compromete receitas provenientes da bilheteira e eventos no estádio.
Junto ao Corinthians, outros clubes como Atlético Mineiro, Botafogo e Fluminense também enfrentam desafios financeiros substanciais. O Atlético-MG, por exemplo, apresenta uma dívida líquida que equivale a 3,44 vezes sua receita anual, mesmo após a transformação em SAF. O Botafogo ainda carrega os fardos financeiros herdados, enquanto o Fluminense lida com preocupações adicionais em relação à nova legislação tributária. Este panorama complexo revela os desafios que o futebol brasileiro precisa enfrentar, mesmo diante de um cenário de crescimento e valorização.





