Funcionários e estudantes da USP entram em greve por tempo indeterminado, exigindo isonomia salarial e melhores condições de trabalho e permanência. Mobilização conjunta aprofunda protesto.

Uma mobilização significativa tomou forma na Universidade de São Paulo (USP) com a deflagração de uma greve por prazo indeterminado, iniciada na terça-feira, 14 de abril. Aproximadamente 13 mil funcionários técnico-administrativos decidiram cruzar os braços em busca de melhores condições de trabalho, um movimento apoiado por estudantes de diversos campi da universidade, tanto na capital quanto no interior.

A decisão pela paralisação foi amplamente discutida e aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), ocorrida em 9 de abril. Os principais pontos de reivindicação incluem a luta por isonomia salarial, especialmente após a recente aprovação de um bônus de R$ 4.500, a ser destinado aos docentes que assumem projetos extracurriculares. Esta ação, proposta pela atual reitoria da USP, é vista pelos trabalhadores como uma ameaça à igualdade que deveria existir entre os docentes e os funcionários.

De acordo com o Sintusp, a introdução desse novo bônus compromete a isonomia previamente acordada, que garantiu a igualdade de reajustes e benefícios entre as universidades estaduais de São Paulo, em um esforço que visava evitar desigualdades salariais. O sindicato alerta que essa situação remonta a gestões anteriores, onde a distribuição desigual de gratificações se tornou uma prática recorrente. Os trabalhadores sugerem que o valor total alocado para essa gratificação poderia ser redistribuído entre os servidores, refletindo um ajuste significativo em seus salários.

Por sua vez, os estudantes também estão levantando suas vozes em apoio a essa causa, paralisando 105 cursos e exigindo não apenas melhores condições nos refeitórios da universidade, mas também um aumento do auxílio estudantil, o fim da privatização de serviços e a proteção dos espaços estudantis.

Entre os descontentamentos que levaram a esse estado de greve está a crítica ao estado das refeições oferecidas, onde alunos relataram encontrar larvas e outros problemas de qualidade nos alimentos servidos nas cantinas. Esses relatos demonstram a insatisfação crescente com a gestão dos serviços universitários.

Frente a esse cenário crítico, novas assembleias estão sendo previstas para avaliar a continuidade da greve, com a universidade, por sua vez, reiterando que respeita a mobilização estudantil e não pretende restringir a atuação das entidades no campus. Com esse ato, a USP entra em uma nova fase de tensão, onde a luta por direitos trabalhistas e melhores condições de permanência estudantil ganham destaque.

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