Funcionários chineses negam escravidão em obra da BYD no Brasil: “Mal-entendido” causou resgate de 163 operários em Camaçari.

Funcionários chineses da montadora de automóveis BYD, que foram resgatados de uma obra em Camaçari (BA) por suspeita de trabalho escravo, negaram as acusações de escravidão. Em um vídeo divulgado, um dos operários leu uma petição em conjunto com outros colegas, alegando um “mal-entendido” em relação à situação em que se encontravam.

De acordo com os funcionários, a questão central foi que 107 trabalhadores precisaram da ajuda da empreiteira Jinjang para obter carteiras de identidade temporárias brasileiras. Os passaportes dos trabalhadores teriam sido temporariamente retidos para facilitar os procedimentos necessários. A resposta dos operários, que pediram ajuda ao governo brasileiro para ficar no país, contradiz as acusações de trabalho escravo.

Além do resgate dos operários, a força-tarefa responsável pelo caso interditou os alojamentos e áreas específicas do canteiro de obras da planta onde a BYD estava construindo uma fábrica em Camaçari. Segundo informações do Ministério Público do Trabalho, os trabalhadores resgatados viviam em condições precárias, com falta de colchões e apenas um banheiro para 31 pessoas.

A força-tarefa, composta por diversos órgãos como Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Defensoria Pública da União, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, constatou que os trabalhadores estavam sujeitos a trabalho forçado, com retenção de parte dos salários e passaportes.

Após a fiscalização, a BYD afirmou repudiar qualquer forma de desrespeito à lei brasileira e dignidade humana, determinando a transferência dos trabalhadores para hotéis da região e rescindindo o contrato com a empresa terceirizada responsável pela contratação dos operários.

A empresa destacou sua preocupação com as condições de trabalho e afirmou que tomará as medidas necessárias para garantir que situações similares não voltem a ocorrer em suas obras. A força-tarefa continuará acompanhando o caso para assegurar que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e que práticas abusivas sejam coibidas.

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