Fraudes com Deepfakes Aumentam 126% no Brasil, Especialistas Alertam para Necessidade de Segurança em Fintechs

O avanço da Inteligência Artificial (IA) está transformando não apenas a forma como as empresas operam, mas também o cenário das fraudes documentais e financeiras. De acordo com dados recentes, o fenômeno dos deepfakes — tecnologia que utiliza IA para criar e manipular vídeos, áudios e imagens a ponto de parecerem autênticos — registrou um crescimento impressionante no Brasil, atingindo uma alta de 126% em 2025. Essa estatística coloca o país como responsável por cerca de 39% dos casos de fraudes na América Latina.

Os especialistas alertam que, embora não haja uma métrica global unificada para mensurar essa problemática, a incidência de fraudes facilitadas pela IA tem se tornado cada vez mais alarmante. Estudos indicam que apenas 7% das empresas estão preparadas para lidar com tais ameaças, reforçando a necessidade de uma abordagem mais robusta frente a esses desafios.

No Brasil, um dado preocupante revela que 42,5% das fraudes financeiras já utilizam ferramentas de IA. O uso de deepfakes cresceu 830% entre 2024 e 2025, segundo uma apresentação de um agente da Polícia Federal. Neste contexto, os contratos, documentos de identidade e procurações estão se tornando alvos fáceis de manipulações fraudulentas.

A utilização de IA para adulterar documentos vai além da simples falsificação; ela abrange toda a rotina contratual, interferindo em informações críticas como valores, datas e partes envolvidas. As fraudes podem ocorrer antes, durante e após a assinatura do contrato, muitas vezes através da criação de documentos falsificados ou da simulação de comunicações legítimas. Para facilitar esse tipo de golpe, bandidos estão usando tecnologias que reproduzem a voz e a imagem de indivíduos reais. Essa capacidade de simulação transforma uma prática de fraude documental em uma conhecida “fraude de confiança”.

Especialistas em Direito Digital apontam que a segurança contratual não deve se basear apenas na confiabilidade da tecnologia utilizada, mas também na estruturação adequada dos processos internos. Para as fintechs, a resposta a essas fraudes não deve ser uma solução isolada, mas sim uma arquitetura de segurança em camadas. Medidas como autenticação multifator, biometria aprimorada e validação cruzada de documentos são essenciais para criar um sistema mais resistente a fraudes. Além disso, é importante realizar auditorias contínuas e investir no monitoramento de comportamentos atípicos, aumentando assim a proteção contra possíveis fraudes.

Por fim, os especialistas recomendam que contratos com altas implicações financeiras incluam etapas adicionais de validação de identidade, especialmente em situações de alteração de dados cadastrais ou mudanças significativas nos perfis dos clientes. Esse enfoque não só melhora a segurança, mas também se alinha a regulamentações emergentes envolvendo a segurança cibernética, reforçando a importância de um ambiente empresarial preparado para enfrentar os desafios apresentados pela evolução da tecnologia.

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