França Suspende Importação de Produtos Agrícolas da América do Sul por Contaminantes Proibidos na UE

A França anunciou a suspensão da importação de produtos agrícolas provenientes de países da América do Sul, em resposta à detecção de resíduos de pesticidas que são proibidos na União Europeia. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, utilizou suas redes sociais para informar que os pesticidas, como mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim, têm ampla utilização em frutas como abacates, mangas, goiabas, uvas e maçãs, produtos estes liberados no Brasil.

Lecornu enfatizou a necessidade de reforçar os controles nas importações, considerando a decisão uma questão de “bom senso”. Segundo ele, “cabe agora à União Europeia ampliar essas ações em todo o mercado europeu”. O primeiro-ministro argumentou que não é mais aceitável permitir a entrada de substâncias proibidas na França, visto que isso criaria uma concorrência desleal e representaria um risco à saúde dos consumidores. Esta postura é parte de uma tentativa mais ampla de garantir que as normas aplicadas aos produtos agrícolas sejam rigorosas e iguais para todos os importadores.

A União Europeia é o principal destino das exportações de frutas do Brasil, respondendo por 58,7% dessas transações de janeiro a novembro de 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura brasileiro. Países Baixos e a Espanha figuram como os principais importadores dessas frutas, com a França representando uma parcela modesta de 0,6%.

A suspensão das importações acontece em um contexto tenso de negociações em curso para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O impasse se deve a divergências sobre as regras que regem a troca de produtos agropecuários. O acordo, que visava a redução ou eliminação de tarifas entre os blocos, deveria ter sido assinado em dezembro durante a Cúpula do Mercosul, mas foi adiado por solicitação da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

As tensões políticas em torno deste acordo são palpáveis, especialmente com a oposição de países como Itália, Polônia e França, que temem que a liberalização das trocas comerciais possa prejudicar seus setores agrícolas. Recentemente, agricultores realizaram protestos em Bruxelas, bloqueando estradas e expressando suas preocupações sobre o potencial impacto negativo do acordo em seus meios de vida. A situação está ligada a um aumento do apoio político à extrema-direita, que se alimenta de receios sobre a globalização e a importação de produtos que possam comprometer a qualidade e segurança alimentar.

A França, ao adotar essas novas medidas, se posiciona claramente na defesa de seus interesses agrícolas, sinalizando que a saúde dos consumidores e a proteção dos mercados locais estão no centro de suas políticas comerciais.

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