França rejeita acordo de livre comércio UE-Mercosul e afirma ser “inaceitável” para seus interesses agrícolas, aponta primeiro-ministro Michel Barnier.

O futuro do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que reúne países da América do Sul como Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, torna-se incerto, especialmente após as recentes declarações do primeiro-ministro francês, Michel Barnier. Durante uma coletiva de imprensa, Barnier expressou que o tratado, cuja ratificação estava prevista para a próxima cúpula do G20 no Brasil, é considerado inaceitável nas atuais condições. Essa afirmação foi feita após uma reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, onde o primeiro-ministro enfatizou a importância de levar em conta a postura da França, um dos principais países da UE.

O governo francês levanta preocupações significativas sobre os impactos que o acordo pode provocar na agricultura europeia. Nos últimos meses, líderes franceses têm discutido a criação de um fundo destinado a compensar produtores rurais da Europa por eventuais perdas decorrentes da implementação do tratado. Esse tipo de recurso não é novidade: em 2021, a UE designou 5,4 bilhões de euros, aproximadamente R$ 33 bilhões, para proteger setores afetados pela saída do Reino Unido do bloco. Além disso, em 2019, uma proposta de alocação de 1 bilhão de euros foi feita para equilibrar os efeitos do acordo com o Mercosul.

No entanto, a resposta dos agricultores europeus à criação desse fundo de compensação tem sido negativa. Muitos deles se sentem descontentes com a abordagem da Comissão Europeia, acusando-a de tentar “comprar seu silêncio” em relação às preocupações que já expressaram. Apesar de alguns negociadores franceses considerarem a possibilidade de compensações uma ideia válida, a resistência à ratificação do acordo persiste. A legislação europeia permite que, caso 45% dos Estados membros, representando 35% da população da UE, se opuserem ao tratado, ele pode ser bloqueado.

Ainda que as negociações entre a UE e o Mercosul pareçam ganhar novo impulso, as últimas declarações de Barnier sinalizam que chegar a um consenso satisfatório para todos os envolvidos será um desafio, dadas as complexidades políticas e sociais. A situação exige um delicado equilíbrio entre os interesses econômicos da Europa e as exigências dos agricultores, refletindo a tensão contemporânea entre globalização e proteção de setores locais.

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