França, Itália e Espanha se opõem a EUA e Israel, acirrando tensões na OTAN e revelando divisões entre aliados europeus e Washington na guerra contra o Irã.

A crescente tensão nas relações entre os Estados Unidos e seus aliados europeus se intensificou com a recente oposição da França e da Itália às operações militares conjuntas com Israel. Esse movimento revela um racha significativo dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a Espanha também se posicionando contra as ações militares na região.

Desde o início da ofensiva no Irã, há um mês, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem acusado seus parceiros da OTAN de falta de colaboração. Em um discurso incendiário, ele chamou países europeus de “covardes” por não apoiarem a iniciativa militar. As críticas se aprofundaram na terça-feira, quando Trump direcionou ataques à França, alegando que o país havia barrado o sobrevoo de aviões israelenses que transportavam suprimentos militares dos EUA.

Fontes diplomáticas confirmaram que, pela primeira vez desde o início do conflito, a França negou o uso de seu espaço aéreo para tais operações, uma decisão que, embora não oficialmente comentada, representa uma mudança significativa na postura do governo francês diante da escalada militar.

A Itália também se distanciou, negando autorização para que aeronaves militares dos EUA pousassem em sua base em Sigonella, na Sicília. Essa recusa se deu porque Washington não solicitou a permissão formal exigida pelos tratados bilaterais, evidenciando a crescente relutância de Roma em se envolver nos conflitos do Oriente Médio.

A Espanha, sob a liderança do primeiro-ministro Pedro Sánchez, se destacou como uma das vozes mais firmes contra a guerra. O governo espanhol anunciou, desde o início do conflito, que seu espaço aéreo permaneceria fechado para aviões norte-americanos envolvidos em ações contra o Irã. A ministra da Defesa, Margarita Robles, enfatizou que as operções permitidas só seriam aquelas de “defesa coletiva”, alinhadas com os princípios da OTAN.

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, endossou essa postura, argumentando que a posição do país está em conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas. Ele afirmou não temer represálias e criticou a intimidação contra países que buscam manter a legalidade internacional.

Além disso, Trump não poupou críticas ao Reino Unido, questionando o nível de envolvimento da nação na ofensiva, ao mesmo tempo em que se anunciava uma visita de Estado do rei Charles e da rainha Camilla aos EUA, prevista para abril.

Essas divergências entre Estados Unidos e seus principais aliados europeus revelam não apenas um desgaste nas relações, mas também um descompasso nas prioridades estratégicas em um contexto geopolítico cada vez mais volátil.

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