Entretanto, a proposta da França não foi recebida de maneira unânime. Há incertezas sobre como essa nova iniciativa se integrará ao que é conhecido como “guarda-chuva nuclear” dos Estados Unidos, que há décadas garante a proteção de aliados na Europa através da dissuasão nuclear. Os países europeus estão divididos sobre os benefícios dessa expansão. Entre os que manifestaram interesse em participar estão Reino Unido, Alemanha, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. Por outro lado, a Itália permanece indecisa, levantando questionamentos sobre a viabilidade da proposta.
A situação é complexa, especialmente considerando o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que, em vigor desde 1970, limita a posse de armas nucleares a cinco países: Rússia (que sucedeu a União Soviética), Estados Unidos, Reino Unido, França e China. O tratado visa proibir o surgimento de novas potências nucleares, e a iniciativa francesa poderá desafiar essa estrutura já estabelecida, caso outros países europeus optem por uma capacitação semelhante.
Além disso, a segurança da Europa não pode ser discutida de forma isolada, uma vez que o continente lida com um ambiente geopolítico em rápida mudança, impulsionado por conflitos e tensões globais. Assim, enquanto alguns veem na evolução da política nuclear francesa uma necessidade de proteção adicional, outros temem que essa iniciativa possa instigar uma nova corrida armamentista na região, em um momento em que a cooperação e o diálogo são mais essenciais do que nunca. A próxima fase da discussão deverá trazer à tona não apenas os aspectos estratégicos, mas também as implicações éticas e legais da expansão do arsenal nuclear em um ambiente já tenso.
