O Panamá, que se tornou um Estado associado do Mercosul em 2024, desempenha um papel estratégico nesse cenário. Desde sua adesão, o comércio entre Brasil e Panamá aumentou em impressionantes 78% no último ano, atingindo US$ 1,6 bilhão. Essa expansão não apenas representa um avanço econômico, mas também é vista como um passo importante para a transição do Mercosul, tradicionalmente voltado ao Cone Sul, rumo à América Central.
Entretanto, a integração latino-americana enfrenta desafios significativos. Rodrigo Lyra, professor de relações internacionais na Universidade Federal de Pernambuco, observa que as Américas do Sul e Central operam em contextos políticos e econômicos bastante distintos. A América Central, por exemplo, está sujeita à influência direta dos EUA, o que limita a autonomia dos países da região em projetos que busquem uma maior independência estratégica. Essa dinâmica se reflete nas dificuldades enfrentadas por organizações como a CELAC, que frequentemente não consegue avançar além de discursos genéricos.
Félix Pablo Friggeri, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, aponta três obstáculos principais para a integração regional: a falta de infraestrutura adequada, a falta de interesse político e a carência de uma estrutura institucional forte que sustente a colaboração econômica. Os mecanismos de integração existentes, como o Mercosul, a Alba e a CELAC, têm enfrentado desafios, mas ainda permanecem como símbolos de resistência.
As recentes ações dos EUA na região, incluindo intervenções em países como a Venezuela, têm potencial para estimular um pensamento mais pragmático em relação ao comércio e à cooperação entre os países latino-americanos. Embora as ideologias possam criar divisões, a necessidade de um alinhamento econômico pode impulsionar uma nova era de intercâmbio regional. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é um exemplo de como governos de diferentes espectros políticos conseguiram unir forças em torno de objetivos comuns, ampliando mercados e buscando modernização produtiva.
Com a crescente complexidade do cenário internacional e a necessidade de um posicionamento mais autônomo frente a potências como os Estados Unidos, a discussão sobre a integração econômica na América Latina torna-se mais pertinente do que nunca. A realização do Fórum em Panamá não apenas simboliza um esforço em direção a essa integração, mas também representa uma oportunidade para reafirmar a importância da colaboração regional em tempos de crescente disputas geopolíticas.






