As dores da inflação e a possibilidade de uma nova recessão parecem estar se dissipando, mas a incerteza política, especialmente relacionada ao desenrolar das eleições americanas, é motivo de apreensão. As pesquisas indicam um acirramento entre os candidatos Donald Trump e Kamala Harris, o que sugere que, independentemente do vencedor, mudanças significativas nas políticas comerciais dos EUA estão no horizonte. Agustín Carstens, do Banco de Compensações Internacionais, alerta que qualquer tentativa de retroceder na globalização e adotar medidas protecionistas pode resultar em aumentos de preços, crescimento do desemprego e um impacto adverso no crescimento econômico.
O FMI projetou que a economia global deverá crescer 3,2% em 2024, mas previu que um cenário de tarifas elevadas, menos migração e maior custo de empréstimos pode reduzir a produção em 2025 em 0,8% e em 2026 em 1,3%. Economistas do Morgan Stanley também apontam que as políticas tarifárias propostas podem reduzir o crescimento do PIB americano em até 1,4%, ao mesmo tempo que aumentarão os preços ao consumidor em 0,9%.
Além disso, a dívida pública global está prevista para ultrapassar US$ 100 trilhões até o final deste ano, em um cenário onde a maioria das nações está se recuperando ainda dos efeitos da pandemia. A magnitude dessa dívida levanta preocupações sobre a sua sustentabilidade, especialmente entre economias avançadas e emergentes que enfrentam níveis de endividamento alarmantes.
Diante deste contexto, os bancos centrais estão voltando suas atenções para a flexibilização monetária, ao mesmo tempo que buscam um equilíbrio na redução das taxas de juros para não estrangular a recuperação econômica. No entanto, o impacto da dívida elevada sobre a economia continua a ser uma sombra que pode dificultar a confiança dos mercados e limitar a eficácia das políticas econômicas implementadas em um futuro próximo. Com um ambiente econômico global tão volátil, a necessidade de uma cooperação internacional e uma abordagem cuidadosa para o comércio torna-se mais urgente do que nunca.
