Durante um recente encontro promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), ficou evidente que a solução para esse dilema vai além de simplesmente aumentar a produção. Um dos principais desafios é a exclusão de quase 70% dos agricultores da rede de financiamento formal, o que limita suas operações e inibe o potencial produtivo. René Orellana Halkyer, representante da FAO, chamou a atenção sobre a urgência de redefinir estratégias de investimento, enfatizando que é fundamental que os recursos financeiros cheguem aos pequenos produtores e às áreas rurais com maior potencial de impacto.
Orellana propôs a implementação de “ecossistemas financeiros territoriais” que conectem agricultores, instituições financeiras, governantes e mercados. Este conceito tem como objetivo garantir que o financiamento possa ser mais adaptável às realidades locais, levando em consideração as particularidades econômicas, sociais e climáticas de cada região. A proposta da FAO inclui o desenvolvimento de portfólios de investimento que integrem produção, infraestrutura e serviços técnicos, ao invés de focar em projetos isolados.
As necessidades são claras. É necessário um modelo de financiamento que considere as diferentes fases da produção e que ofereça garantias e assistência técnica aos agricultores durante o pré-investimento. Atualmente, a FAO gerencia mais de um bilhão de dólares em projetos em 32 países da região, mas a eficácia desse investimento depende da capacidade de redirecionar recursos diretamente para aqueles que realmente produzem os alimentos.
O desafio está lançado: como assegurar que esses mecanismos de financiamento beneficiem os mais vulneráveis e ajudem a reduzir os níveis persistentes de fome? A melhora no acesso ao crédito é vista como uma das chaves para liberar o potencial agroalimentar da região e, consequentemente, enfrentar a crítica questão da insegurança alimentar que afeta tantos latino-americanos.
