Fome Infantil no Brasil Cai Quase 30% em Um Ano, Menor Nível em 20 Anos de Monitoramento

Um recente relatório do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social revelou uma significativa queda da insegurança alimentar grave entre crianças e adolescentes no Brasil, que recuou quase 30% entre 2023 e 2024. Os números indicam que, enquanto em 2023 cerca de 2,5 milhões de jovens eram afetados pela fome, em 2024 esse total caiu para 1,8 milhão. Essa mudança é um marco histórico, já que representa o menor percentual registrado desde o início da coleta de dados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004.

O monitoramento, realizado por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), contabilizou que aproximadamente 3,6% da população entre 0 e 17 anos vivia em domicílios com insegurança alimentar grave em 2024, um número inferior aos 4,8% reportados no ano anterior. Além disso, a situação nutricional das crianças também apresentou melhorias, com a taxa de magreza acentuada caindo de 2,8% para 1,8%, e a obesidade diminuindo de 6,4% para 5,7%.

Esses resultados são atribuídos a um conjunto de políticas públicas focadas na ampliação do acesso à renda e alimentação, além de suporte nutricional. O ministério destacou que o Benefício Primeira Infância, integrado ao programa Bolsa Família, tem sido fundamental nesse cenário. Desde março de 2023, aproximadamente 9 milhões de crianças entre 0 a 6 anos receberam um auxílio de R$ 150 mensais. Para crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, adicionalmente, um pagamento de R$ 50 mensais é destinado a cerca de 15 milhões de beneficiários.

Outro fator relevante no avanço dos indicadores de saúde alimentar é o fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). Dados recentes mostram que 7,9 milhões de crianças menores de 5 anos tiveram seu peso e altura monitorados por serviços de saúde, representando um aumento na cobertura desses serviços públicos em comparação com anos anteriores. Este panorama traz esperança e mostra que políticas efetivas podem reduzir a fome entre os menores, um desafio persistente na sociedade brasileira.

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