Flexibilização de Áreas de Proteção Ambiental no Rio é alvo de polêmica após decreto de Cláudio Castro; ambientalistas temem impacto em fauna e flora.

Um recente decreto assinado pelo ex-governador Cláudio Castro, pouco antes de deixar seu cargo, gerou controvérsia e preocupação entre especialistas e ambientalistas. A medida, que revoga os planos de manejo de várias Áreas de Proteção Ambiental (APAs) no litoral fluminense, pode sinalizar um retrocesso nas regras que garantem a preservação desses locais, criados para proteger a biodiversidade e conter o crescimento urbano desordenado.

Os planos afetados incluem as APAs do Pau-Brasil, em Búzios e Cabo Frio; de Tamoios, em Angra dos Reis; de Massambaba, que abrange cidades como Araruama e Arraial do Cabo; e da Serra de Sapiatiba, em São Pedro da Aldeia. Essas normas são essenciais para gerir as atividades permitidas e a fiscalização das áreas, fundamentais para a manutenção da fauna e flora locais.

A decisão de Castro concede um período de transição até que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) elabore novas diretrizes ou a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprove leis que possam diluir as restrições, abrindo espaço para empreendimentos como resorts e condomínios litorâneos. Essa possibilidade preocupa os moradores e especialistas que, temendo por uma flexibilização das regras, veem um potencial risco à conservação ambiental.

Apesar da negativa do governo sobre mudanças nas normas de proteção, ambientalistas, como Denise Pena, representante do Conselho Consultivo da APA de Massambaba, expressaram surpresa com a revogação, que ocorreu poucos dias após mudanças na equipe técnica do Inea. O trabalho de revisão que estava sendo feito tinha como objetivo a atualização das diretrizes para alinhá-las à legislação ambiental federal.

Os críticos da medida alertam que, se uma revisão das APAs levar a um alinhamento com os planos diretores das cidades – que tendem a ser menos rigorosos –, áreas ecologicamente sensíveis podem perder a proteção que atualmente possuem. Pena afirmou que a falta de transparência nesse processo é alarmante e que as consequências podem ser devastadoras para o meio ambiente.

Com base em denúncias feitas à Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público do Rio, integrantes da sociedade civil questionam a legalidade do procedimento, uma vez que as revisões podem ter sido iniciadas antes da conclusão dos trabalhos de consultoria. Tais alegações levantam sérias questões sobre a gestão e a proteção das APAs, especialmente em áreas onde há pressão para a construção de empreendimentos imobiliários.

Por outro lado, a situação se agrava em Maricá, onde o decreto também afeta a APA que protege a lagoa local. As normas dessa APA são vistas como um obstáculo para grandes empreendimentos, como um condomínio de luxo que busca autorização para construção na região.

Enquanto especialistas e ativistas se mobilizam para tentar reverter as mudanças e garantir a proteção ambiental, o temor de que o patrimônio natural do estado do Rio de Janeiro esteja em risco se torna cada vez mais palpável. A luta por um equilíbrio entre desenvolvimento e proteção ambiental ganha contornos de urgência, diante de um cenário que, segundo críticos, pode estar se moldando a favor de interesses comerciais em detrimento da natureza.

Sair da versão mobile