Flávio Bolsonaro muda discurso e sugere que governo pode durar oito anos, ampliando diálogo com Centrão e setores da direita em Santa Catarina.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pré-candidato à presidência da República, fez declarações polêmicas na última sexta-feira durante um evento em Santa Catarina, onde afirmou que, se eleito, seu governo poderia se estender por até oito anos. Essa mudança de posição é significativa, uma vez que o senador havia manifestado anteriormente a intenção de cumprir apenas um único mandato. Essa nova estratégia parece visar um maior diálogo com o grupo conhecido como Centrão e com outros setores da direita, incluindo figuras proeminentes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Flávio enfatizou sua visão de um país com menos dependência política, onde as famílias teriam mais dignidade e autonomia. “O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, Jorginho [Mello, governador de SC], seja daqui a quatro, daqui a cinco, onde a gente vai poder bater no peito e falar: ‘Menos pessoas dependentes de políticos para levar comida para dentro de casa e dignidade para as suas famílias’”, declarou.

No dia seguinte, em Florianópolis, o senador se defendeu de críticas sobre sua declaração inicial, alegando que suas palavras foram distorcidas. Flávio reiterou seu posicionamento contra a reeleição, argumentando que quatro anos não são suficientes para atender às demandas do Brasil. “Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada. Acredito que ela será aprovada, mas convenhamos, quatro anos é um pouco para tanta coisa que o Brasil precisa arrumar”, afirmou.

Entre suas propostas, está a mudança na legislação atual que permitiria ao presidente se tornar inelegível para o próximo mandato, retornando ao modelo anterior à emenda constitucional de 1997 que instituiu a reeleição. Ele argumenta que essa reeleição gera um “estado permanente de eleição”, onde decisões administrativas ficam sujeitas a interesses eleitorais, o que compromete a alternância de poder.

Durante o evento em Florianópolis, Flávio também apresentou alguns nomes da “seleção de Bolsonaro” para as eleições, incluindo o ex-vereador Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni, além do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, como candidatos ao Senado.

Em outra parte de seu discurso, Flávio criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu a Lei da Dosimetria, levantando questões sobre a integridade democrática do país. Ele acusou o ministro Alexandre de Moraes de favorecer interesses específicos, insinuando a existência de um “jogo combinado” entre ele e o relator da proposta no Congresso, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

“A democracia fica abalada. É uma decisão do Congresso Nacional, na sua grande maioria, defendendo a lei da anistia. Em uma canetada monocrática, o ministro do Supremo revoga a decisão de nós, os verdadeiros representantes do povo”, denunciou Flávio, concluindo que a população não deve se acostumar com esse tipo de manobra política. A intensa movimentação do senador reflete um cenário político em transformação, onde alianças são fundamentais para a construção de um projeto que aspire à liderança do país.

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