Flávio Bolsonaro gera polêmica ao reabrir debate sobre urnas eletrônicas, gerando incômodo na cúpula do PL e reacendendo comparações com campanha de seu pai.

As recentes declarações de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, sobre as urnas eletrônicas acenderam um alerta na cúpula do seu partido. Os comentários do senador despertaram um mal-estar evidente entre dirigentes, que acreditam que reabrir essa discussão pode ser um equívoco sério, especialmente em um cenário eleitoral delicado. Para muitos, retomar um tema que levou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, à inelegibilidade, parece um movimento arriscado e desnecessário.

Nas conversas internas do PL, há um consenso de que Flávio está errando ao insistir nesse discurso. Embora alguns membros da direção compartilhem uma certa crítica ao sistema eleitoral vigente, eles consideram que ressuscitar a polêmica em torno das urnas não trará benefícios e pode, na verdade, gerar mais desgaste. Um dirigente, que preferiu não ser identificado, enfatizou que as urnas funcionam e que tentar transformar essa questão em uma bandeira eleitoral seria um erro tático.

A orientação que Flávio recebeu é clara: seu foco deve ser direcionado a temas que realmente dialoguem com um público mais amplo, além da base tradicional do bolsonarismo. Questões como economia, segurança pública, inflação e geração de empregos são vistas como prioridades que precisam ser discutidas, ao invés de um retorno à polêmica das urnas eletrônicas, que acaba reforçando a imagem de uma candidatura ligada ao passado problemático de seu pai.

A comparação entre Flávio e Jair é inevitável dentro do partido. Em julho de 2022, durante um encontro no Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro apresentou sem provas alegações de fraude nas urnas eletrônicas, o que culminou em sua inelegibilidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-presidente por abuso de poder político, destacando que os ataques ao sistema eleitoral não podem ser vistos de forma isolada.

Neste contexto, a preocupação da direção do PL é evitar qualquer associação de Flávio a esse histórico negativo. A ideia é que a campanha não abra espaço para críticas que possam relembrar os erros do passado e trazer à tona um debate que, para eles, já deveria estar superado.

A repercussão em torno das falas de Flávio foi ampliada, especialmente pelo fato de que parte de sua equipe não esperava que esse tema surgisse. Durante um evento em Brasília, onde Flávio fez menções à empresa venezuelana Smartmatic e à necessidade de observação internacional nas eleições, a equipe acabou pegando a todos de surpresa. Embora Flávio tivesse afirmado que não estava questionando a integridade do sistema eleitoral brasileiro, as referências à Smartmatic contradizem informações já divulgadas pelo TSE, que negou a participação da empresa na fabricação das urnas utilizadas no Brasil.

Por fim, apesar da palpável preocupação com as consequências que isso possa gerar, a equipe jurídica da campanha acredita que Flávio não enfrentará as mesmas penalidades que seu pai. Eles argumentam que, ao contrário de Jair Bolsonaro, ele não utilizou recursos públicos em sua fala. Com isso, esperam que a reivindicação por um fortalecimento da observação internacional das eleições fique em evidência, sem comprometer a candidatura de Flávio.

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