Flávio Bolsonaro faz declaração falsa sobre urnas eletrônicas e pede mais observadores internacionais para as eleições de outubro, gerando polêmica entre diplomatas.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à presidência da República nas próximas eleições, fez declarações polêmicas durante um encontro com diplomatas estrangeiros em Brasília. Armado com informações distorcidas, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou que os países presentes enviassem “a maior quantidade de observadores possível” para acompanhar as eleições marcadas para outubro.

Durante o evento intitulado “Debatendo o Brasil”, promovido pelo site The Brazilian Report e pela agência Novo Selo Comunicação, Flávio aproveitou a oportunidade para disseminar dados imprecisos sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Ele mencionou uma suposta ligação entre o sistema eleitoral brasileiro e a empresa venezuelana Smartmatic, o que já foi desmentido várias vezes pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ocasião, estavam presentes representantes de 42 países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, entre outros.

Em sua fala, Flávio argumentou que não se tratava de questionar a integridade do sistema de votação, mas enfatizou a importância de aumentar a presença de observadores para garantir a transparência e segurança do processo eleitoral brasileiro. A insistência nas alegações sobre a Smartmatic parece ter sido influenciada por documentos recentes divulgados pela CIA, levantando suspeitas sobre o sistema eleitoral da Venezuela. No entanto, esses documentos não oferecem evidências conclusivas de manipulação em larga escala.

O senador alegou que “uma das suspeitas” liga a Smartmatic à alteração dos resultados eleitorais na Venezuela, reiterando que muitas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras teriam a mesma origem. Essa afirmação, como já ressaltado em notas anteriores do TSE, é infundada. O tribunal já afirmou categoricamente que as urnas eletrônicas brasileiras são projetadas e produzidas por empresas selecionadas através de processos licitatórios públicos, sem qualquer relação com a empresa venezuelana.

Flávio Bolsonaro ainda tentou defender seu pai, que foi condenado pelo TSE após um encontro com embaixadores em 2022. Ele argumentou que Jair Bolsonaro expressou preocupações legítimas sobre a segurança do sistema eleitoral. Contudo, a Justiça Eleitoral considerou que o ex-presidente praticou abuso de poder ao disseminar inverdades sobre as urnas eletrônicas, prejudicando o debate democrático.

Assim, as declarações de Flávio no evento suscitam preocupações sobre a propagação de informações equivocadas, especialmente em um período pré-eleitoral, onde a legitimidade do processo democrático deve ser uma prioridade.

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